DHFA - Dissertações de Mestrado / Master Thesis
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Dissertação de Mestrado. Nível intermédio de uma dissertação (4 ou 5 anos de estudo). Contempla também dissertações do período pré-Bolonha para graus académicos que agora são reconhecidos como grau de mestre.
(Aceite; Publicado; Actualizado).
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- A emigração do concelho da Ribeira Grande (ilha de São Miguel – Açores) para os Estados Unidos da América e o Canadá nos anos 1950 a 1974Publication . Sousa, Marco Henrique Ferreira de; Silva, Susana Paula Franco SerpaOs fluxos migratórios no arquipélago dos Açores sucedem desde o período do povoamento. Tal como o nosso arquipélago, o Continente português também foi desde cedo alvo de vários movimentos emigratórios para terras mais longínquas, como o Brasil. Entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, o Brasil deixou de ser o destino favorito dos açorianos, uma vez que estes passariam a escolher os EUA como seu destino de eleição. Ainda no final do século XIX, verificou-se um movimento significativo para as Ilhas de Sandwich devido à necessidade de mão-de-obra que este arquipélago tinha no setor agrícola, nomeadamente na cultura do açúcar. Já na primeira metade do século XX, assistiu-se a uma forte emigração para os EUA que, por sua vez, só seria condicionada quer durante a Grande Guerra quer na década de 1920 devido à restrição das leis de imigração norte-americanas. Porém, a difícil entrada nos Estados Unidos fez com que os ilhéus elegessem neste período territórios como a Républica Dominicana, Curaçau, Venezuela, Argentina, Bermuda, entre outros, para reerguer as suas vidas assim como para enviar o sustento às suas famílias que se encontravam no arquipélago dos Açores. Na segunda metade do século XX, o movimento emigratório açoriano, para os Estados Unidos da América e o Canadá, foi bastante significativo, quer devido à conjuntura social, económica e política que o país enfrentava, com o regime do Estado Novo, quer na sequência de cataclismos, como a erupção do vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial. Em contrapartida, os fluxos migratórios de Portugal Continental ocorreram neste período, essencialmente, para países europeus, como França, Alemanha, entre outros, não descurando outros territórios situados na América do Sul (Brasil) ou em África (África do Sul) os quais receberam dezenas de emigrantes do continente. As sucessivas saídas proporcionadas quer por açorianos quer por continentais estiveram na origem de fortes condicionalismos impulsionados pelas autoridades portuguesas, as quais adotaram várias políticas de emigração com vista a restringir a emigração continental e insular. Aliadas a estas políticas limitativas esteve a Junta Nacional de Emigração que foi fundada durante o Estado Novo com a responsabilidade de tratar, organizar, orientar, entre outros, todos os fluxos migratórios de Portugal, com vista a dar uma boa impressão do regime Salazarista aos países que acolhiam os nossos emigrantes. A emigração açoriana, para a América do Norte, seria facilitada, neste período, pelo levantamento das restrições das leis de imigração que tinham sido impostas pela administração norte-americana e também pela implementação de leis imigratórias mais liberalistas, como foi o caso do Hart-Celler Act de 1965. No final da década de 1950 aprovou-se no Congresso norte-americano o Azorean Refugee Act de 1958, lei que marcaria a história da emigração açoriana. Ademais, no início da década de 1950, originaram-se várias negociações levadas a cabo pelos governos de Portugal e do Canadá. Esta abertura vai estar na origem da terceira grande vaga da emigração insular que teria uma forte contribuição de centenas de indivíduos do concelho da Ribeira Grande que procuraram melhores condições de vida face à árdua conjuntura socioeconómica que se vivia no arquipélago e em particular no concelho da Ribeira Grande durante a ditadura de Oliveira Salazar.
- Diálogos entre a Infância e a Filosofia da DiferençaPublication . Ganço, Carla da Conceição Jorge; Carvalho, Magda Costa; Almeida, TiagoA presente Dissertação de Mestrado posiciona-se como uma análise crítica a alguns modelos dominantes de discurso sobre a infância, adultistas e normocentrados, com o objetivo de caracterizar e problematizar o conceito de childism. Propõem-se como objetivos investigar o projeto subjacente à proposta contemporânea designada por childism, enquanto projeto crítico, assim como os conceitos de idade, normalização, desenvolvimento, diferença, agência e cidadania, questionando como pode o conceito de childism estimular e proporcionar outras e diferentes perspetivas sobre a(s) criança(s) e a(s) infância(s). Para além disso, pretende-se refletir sobre como e de que forma a Filosofia para/com Crianças e o childism podem interligar-se em prol do empoderamento infantil. A análise pretende constituir-se como uma problematização filosófica que tenha ressonância a nível político e educativo, ao propor considerar as possibilidades decorrentes do afastamento da dicotomia adulto-criança e de sistemas de matriz representacional que possam constituir-se como obstáculo à ideia de criança como agente no seu mundo e cidadão por direito próprio. Pretendemos pensar nas possibilidades das crianças e dos jovens para fazerem a diferença (em vez de se constituírem como uma diferença) e nas várias formas como poderão contribuir para a remodelação do mundo social e político. Destacamos que a leitura do conceito de childism adotada é a defendida por John Wall (2016, 2019, 2022), fundador e co-diretor do Childism Institute, por se tratar de uma abordagem que problematiza as relações entre os chamados estudos da infância e outras áreas do conhecimento. Nesta dissertação, e de acordo com a abordagem de John Wall, perspetiva-se o childism como um conjunto de movimentos e esforços que visam legitimar as experiências das crianças através da crítica às normas educativas, sociais e políticas. Consideramos, assim, que uma reflexão filosófica da infância poderá contribuir de forma significativa para os propósitos da nossa investigação, ao permitir questionar e repensar a profunda história de dominação adulta da infância, no contexto ocidental, e propor considerar a agência infantil enquanto espaço político.
- O Convento de Nossa Senhora da Conceição em Ponta Delgada. Intervenções arquitetónicas em função das alterações de uso.Publication . Franco, Paulo André da Luz; Albergaria, Isabel Soares deEste trabalho debruça-se sobre o mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, o último mosteiro feminino construído em Ponta Delgada e o único da Ordem da Imaculada Conceição. Após a extinção do mosteiro, os edifícios continuaram a ser utilizados, sofrendo várias intervenções para albergar o Governo Civil do Distrito de Ponta Delgada e os diversos serviços públicos que aí se instalaram. A cerca e alguns edifícios de origem conventual foram sacrificados para dar resposta às novas necessidades da cidade, com a abertura da Rua Formosa no final do século XIX, criando uma frente sul, que deu origem ao Palácio da Conceição. As transformações ocorridas e a importância dos usos instalados fizeram esquecer a memória das suas funções conventuais. Essa memória só foi recuperada com as intervenções do século XXI. Na sequência dessas intervenções, foi realizado este estudo que permitiu, através de análise histórica, concluir sobre a utilização continuada do edifício, o que garantiu que boa parte da estrutura primitiva conventual fosse preservada, apesar das transformações que o edifício sofreu. A mesma análise permitiu perceber como a cerca conventual foi decisiva na dinâmica urbanística de crescimento da cidade no final do século XIX.
- A expressão e a comunicação verbal na espiral da comunidade de investigação filosóficaPublication . Silveira, Margarida Rodrigues Viegas da; Silva, Maria Madalena Marcos Carlos Teixeira da; Carvalho, Magda CostaEsta Dissertação intitula-se “A expressão e a comunicação verbal na espiral da comunidade de investigação filosófica” e é o resultado do trabalho final elaborado para a conclusão do Mestrado em Filosofia para Crianças da Universidade dos Açores. “Como é que a realização de sessões em comunidade de investigação filosófica que têm como ponto de partida obras de Literatura Infantil pode promover a expressão e a comunicação verbais das crianças?” – foi a pergunta inicial que deu origem à investigação. Esta pergunta foi motivada pelo nosso trabalho enquanto professora do 1.º Ciclo do Ensino Básico numa escola dos Açores (Portugal) e por termos vivenciado a metodologia da comunidade de investigação filosófica, pela primeira vez, quando iniciámos este Mestrado. Essa experiência acrescentou à nossa prática educativa a suspeita de que a Literatura se pode constituir como uma inestimável aliada da Filosofia, na promoção de um ambiente propício à verbalização conjunta de pensamento, e levou-nos a querer investigar alguns dos benefícios que podem ocorrer aquando da junção de ambas. Para tentar dar resposta à pergunta inicial, aprofundámos os nossos conhecimentos de como, quando e onde surgiu o termo comunidade de investigação filosófica, o método escolhido para implementar o Programa original da Filosofia para Crianças. Com as características da comunidade de investigação filosófica identificadas, procurámos situá-las no movimento da chamada Filosofia para/com Crianças e explorámos algumas das implicações da adoção deste método na Educação. Numa tentativa de compreender a possível relação entre a realização de sessões em comunidade de investigação filosófica e a promoção da verbalização, ressaltamos a ligação existente entre a expressão e a comunicação verbais e a leitura de obras de Literatura Infantil no Ensino Básico. Ao longo deste trabalho, procurámos aprofundar os nossos próprios conhecimentos sobre os conceitos relacionados com o tema que escolhemos, recolhendo as informações necessárias no trabalho de alguns dos autores que já se debruçaram sobre o assunto e tentando aplicar esses conhecimentos na prática com a nossa própria comunidade de investigação filosófica. Concluímos que a exploração de obras de carácter literário pode promover um exercício de verbalização imaginativa que permite aos membros da comunidade de investigação, sobretudo quando são crianças, uma disponibilidade e um envolvimento crescentes com os temas do diálogo, fundamental para a exploração filosófica dos mesmos.
- O Património Cultural nos Manuais Escolares do Estado Novo: O discurso patrimonial como meio educacional de propagação ideológicaPublication . Puga, Cristina Maria de Magalhães Machado; Albergaria, Maria Isabel Whitton Terra Soares de; Medeiros, Pilar Sousa Lima Damião deEsta dissertação analisa a utilização do património cultural como instrumento de disseminação ideológica nos manuais escolares do Estado Novo. Durante o regime ditatorial em Portugal, estes materiais pedagógicos foram meticulosamente elaborados para transmitir e consolidar os valores e diretrizes do governo, assegurando que todas as crianças recebessem uma formação uniforme e controlada pelo regime. Os livros únicos desempenharam um papel central nesse processo, sendo os únicos suportes didáticos autorizados nas escolas. Através destes livros, procurava-se influenciar a mentalidade dos jovens, incutindo-lhes uma perspetiva específica da história, da cultura e da sociedade portuguesa. O património cultural foi explorado de forma estratégica, selecionando-se monumentos, tradições e figuras históricas visando legitimar a identidade nacional e fortalecer a ideologia do regime. A narrativa patrimonial nos manuais escolares transcendia a mera transmissão de conhecimento académico, promovendo um sentimento de identidade coletiva alinhada com os interesses do Estado Novo. Esta investigação analisa a iconografia do património cultural nos manuais escolares, com o intuito de desvendar os mecanismos de controlo e influência implementados pelo regime na educação, bem como os impactos dessa estratégia na formação das gerações que cresceram nesse período. Para tal, estudamos as ilustrações apresentadas nos livros únicos da primeira, segunda, terceira e quarta classes, estabelecendo uma categorização fundamentada teoricamente, para compreender de que forma a construção social foi moldada pelo discurso patrimonial. O estudo visa aprofundar a compreensão das técnicas de manipulação impostas pelo Estado Novo e os seus reflexos na formação da identidade nacional e social dos portugueses.
- A Política Energética Portuguesa: Um caso de Estudo dentro da União EuropeiaPublication . Cabral, Simão Pedro Dias Ramos Melo; Andrade, Luis Manuel Vieira de; Rocha, Miguel EstanqueiroO Estudo centra-se no necessidade de compreender de que forma a Política Energética Portuguesa se tem vindo a alterar ao longo do tempo, procurando enquadrar as mesmas no âmbito da União Europeia e das políticas que esta tem vindo a adotar. Os objetivos procurados são: 1) Compreender a mudança de paradigma a nível Nacional e Europeu; 2) Compreender os fatores que levam ás alterações de comportamento e decisões por parte das lideranças políticas; 3) Perceber de que forma os objetivos de curto e médio prazo estão a ser prosseguidos; 4) e finalmente retirar algumas conclusões das perspetivas de longo prazo para um sector que é essencial para a vivência humana. Pretende seguir uma metodologia teórica, recorrendo a autores consagrados na área da geopolítica e da geoestratégia, com foco na vertente energética e na forma como o sector influência o jogo da Política e das Relações Internacionais, mas olhando também para o âmbito climático e o impacto que o sector da energia tem vindo a ter sobre o mesmo. O estudo será desenvolvido sobretudo com base nos planos oficiais declarados pelo Plano Nacional para a Energia e Clima do decénio 2020-2030, recorrendo ainda a todo um vasto leque de legislação e planos de ação a nível multinacional, sobretudo dentro da União Europeia. A análise dos Planos e dos objetivos traçados, não obstante as alterações de montra provocadas pela mudança súbita de Status Quo no continente Europeu em Fevereiro de 2022, pretende demonstrar que o caminho para uma Europa mais Verde e mais Sustentável está já a ser trilhado e que Portugal pode e deve ter um papel de destaque, por força não apenas da sua posição de destaque a nível geográfico, mas também pela influência que a capacidade Diplomática Portuguesa, no âmbito das diversas comunidades Internacionais das quais faz parte, pode ter na prossecução de objetivos concretos e ambiciosos para alterar profundamente o modo como pensamos, produzimos e consumimos a Energia.
- João António Gomes Vieira e o Museu das Flores: Uma vida dedicada ao colecionismo e estudo do património cultural açorianoPublication . Silveira, Nina Cecília Mendonça; Albergaria, Maria Isabel Whitton Terra Soares de; Vieira, Luís Filipe Nóia GomesA constatação da reduzida produção de estudos e reflexões acerca das personalidades ligadas à museologia açoriana, assim como do papel que desempenharam nas instituições que integraram e da bibliografia que produziram, motivou a escolha do tema da presente dissertação. O estudo de caso centrado em João António Gomes Vieira, colecionador, fundador e primeiro diretor do Museu das Flores, permitiu acompanhar as diversas etapas do seu percurso pessoal e profissional, assim como do processo colecionístico, o que, por sua vez, possibilitou uma maior compreensão da própria trajetória do Museu das Flores, da sua história e museologia. Divulgar e preservar a sua história, transmitindo o seu legado às gerações presentes e futuras foram os principais objetivos deste trabalho. Pretendemos, igualmente, preencher uma lacuna no estudo da museologia açoriana, mas, também, destacar a importância de reconhecer e honrar os contributos individuais para o desenvolvimento cultural e histórico de uma região. Atualmente, importa olhar para o passado como uma fonte de lições valiosas que ajudem a compreender e enfrentar os desafios do presente e a perspetivar o futuro de forma informada e consciente.
- Sociomuseologia em contexto desportivo: um caso prático de inclusão sociocultural e de desenvolvimento museológico conexo à matriz do desporto infanto-juvenilPublication . Furtado, Pedro Miguel Baptista; Medeiros, Pilar Sousa Lima Damião deFará sentido procurar uma relação íntima entre o conceito teórico de Sociomuseologia, a aplicação prática da Museologia Social e o fluxo de públicos e de jovens atletas que exprimem o desporto infanto-juvenil? O trabalho desenvolvido, apresentado na forma de dissertação académica, procura isso mesmo: obter uma resposta pragmática para esta ligação tripartida procurando explorar uma série ampla de caminhos teóricos e de circunstâncias quotidianas com vista à apresentação de uma solução efetiva, prática e exequível, que possa servir de âncora à inclusão social, à educação cultural e ao desenvolvimento do desporto jovem de formação em torno de uma comunidade específica. A investigação centra o seu estudo num caso real, circunscrito ao território geográfico da ilha de São Miguel, nos Açores, com particular incidência para o contexto social, educativo, cultural e desportivo que representa e envolve o maior concelho deste arquipélago, o de Ponta Delgada. As pessoas e as suas circunstâncias do presente são o centro desta investigação, procurando-se através dos caminhos da educação, dos instrumentos da cultura e dos valores do desporto jovem potenciar a inclusão, o crescimento e o desenvolvimento social e humano de todos.
- O Património Baleeiro na Construção Identitária dos Açores: O Impacto na Comunicação e no MarketingPublication . Dâmaso, Carlota Teixeira; Costa, Susana Goulart; Tiago, Teresa BorgesA notoriedade crescente que se verifica da Região Autónoma dos Açores em contextos regionais, nacionais e internacionais, e a diversidade de públicos que procura os Açores pela proximidade ao mar, levaram-nos a aprofundar o estudo da matéria relacionada com a identidade açoriana. O impacto que a indústria baleeira teve para o arquipélago, por ser uma atividade transversal às nove ilhas, e a condição de ilhéu, permitiram que o açoriano desenvolvesse uma a ligação muito íntima com o mar e, como consequência, adotasse o património baleeiro, e por sua vez o cachalote, como representação da essência de um povo, personificando o animal em produtos, campanhas promocionais, material de divulgação e experiências memoráveis relativas à Região. Este estudo visa entender a influência do património baleeiro açoriano na criação das estratégias de comunicação e marketing para a promoção da Região e propor uma reflexão sobre o papel do património baleeiro regional e respetiva preservação.
- O ridículo racional: (des)construções com a infânciaPublication . Costa, Ana Cristina Dias da Rocha e; Silva, Maria Madalena M. C. Teixeira da; Silva, Rui Jorge Sampaio; Carvalho, Magda CostaO presente estudo procura enquadrar a literatura como promotora de pensamento filosófico no âmbito da comunidade de investigação, sobretudo a partir do que consideramos serem figuras literárias disruptivas de racionalidade. Assim, começamos por debruçar-nos sobre o poder da linguagem na promoção do pensamento e sobre o seu papel na reconstrução de conceitos. A este propósito, analisamos o próprio conceito de literatura infantil. Prosseguimos procurando enquadrar a relação entre filosofia e literatura, enquanto potenciadoras desse pensamento reconstrutor. Abordam-se de seguida as características da literatura que questiona as coerências lógicas do mundo e, neste sentido, que recria conceitos recorrendo a figuras disruptivas de racionalidade, nomeadamente ao nonsense. A dada altura da nossa investigação no âmbito do trabalho filosófico na/da/pela infância, surgiu a necessidade de perspetivar uma capacidade de pensar, problematizar e questionar o mundo, e de o (re)construir, que se pode atribuir com mais frequência às crianças. E, neste sentido, colocam-se várias questões: será a racionalidade um construto idealizado, interdependente daquilo que é considerado como disparate, ridículo e absurdo? Será a racionalidade um conceito passível de ser (des)construído pela infância? Neste âmbito, propomo-nos aprofundar as noções de “disparate”, “ridículo” e “absurdo” ao tentarmos perceber - se podem existir e quais são - as implicações de brincar com as palavras no pensamento filosófico na/da/pela infância. Pelo menos desde a década de 70 do século XX vários autores defendem que as crianças são capazes de elaborar pensamentos filosóficos complexos, que têm o direito de fazer filosofia e, até, de contribuir com as suas ideias para a reconstrução da própria história da filosofia. Assim, o acima mencionado constitui uma provocação do pensamento e um questionamento na comunidade de investigação filosófica a partir da linguagem utilizada e do poder atribuído às palavras. Estas são entendidas como portais para ideias inusitadas e interrogações “pro-vocadoras”, colocando em causa alguns conceitos e questionando os pressupostos em que comummente assentam. Neste contexto, tentamos situar as figuras de desrazão no panorama da literatura infantil portuguesa, enquanto possíveis facilitadoras do pensamento filosófico em comunidade de investigação filosófica, através da análise de duas obras que recorrem a figuras literárias disruptivas de racionalidade: O Brincador, de Álvaro Magalhães, e Posso falar-te em verso?, de António Torrado.
