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Repositório Institucional da Universidade dos Açores

 

Entradas recentes

Antecipando o Futuro: VUCA, strategic foresight e as Relações Internacionais
Publication . Teixeira, Margarida Pereira Couto Cabral; Pimentel, Berta Maria Oliveira; Fontes, Paulo Vitorino
Esta dissertação de Mestrado em Relações Internacionais: O Espaço Euro-Atlântico revelou-se o momento oportuno para estudar dois conceitos de elevado potencial para a disciplina: o conceito de VUCA (acrónimo inglês de volátil, incerto, complexo e ambíguo) e o de strategic foresight. A investigação iniciou-se com a identificação das origens e definições de ambos. No caso do VUCA, verificou-se que este conceito teve dois momentos fundamentais: a sua formulação teórica por Warren Bennis e Burt Nanus no livro Leaders: Strategies for Taking Charge, e a sua formalização pelo Major-General Thompson no Colégio de Guerra dos Estados Unidos da América, em pleno contexto da Guerra Fria. Foi ainda analisada a interligação entre as palavras que compõem o acrónimo, bem como a sua utilização por outras áreas científicas. A situação da pandemia do COVID-19 foi utilizada como exemplo ilustrativo da insuficiência do uso isolado de cada palavra, demonstrando que o acrónimo permite ultrapassar as abordagens tradicionais de caracterização. Quanto ao strategic foresight, concluiu-se que também este conceito teve duas origens: a sua aplicação indireta por Herman Kahn, estratega militar norte-americano, no período pós-Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, e a sua formalização e consolidação através do meio académico por Richard Slaughter. Foi igualmente estudada a aplicação prática do strategic foresight, nomeadamente através de três dos seus métodos fundamentais para esta investigação, o future triangle, o scenario planning e o horizon scanning, e foi dado particular destaque para o exemplo da Comissão Europeia e de como este organismo tem integrado esta perspetiva estratégica no seu processo de decisão. Por fim, foram sistematizadas as informações recolhidas ao longo do trabalho que evidenciaram a relação entre os dois conceitos e que possibilitou uma análise da sua integração na disciplina das Relações Internacionais. Nessa fase final da investigação considerou-se que a teoria construtivista apresentou maior potencial de compatibilidade com os conceitos estudados, sem que, num momento inicial da investigação, fosse assumido qualquer compromisso definitivo quanto à sua aplicação. No entanto, concluiu-se que, no atual contexto científico, essa integração ainda não é plenamente possível.
Criação de um plano de intervenção fisioterapêutico na doença de Machado- Joseph
Publication . Serrano, Lorena Marcela Ruiz; Lima, Maria Manuela Medeiros; Raposo, Mafalda Sofia Bastos; Mesquita, Inês Albuquerque
A doença de Machado-Joseph (DMJ), ou ataxia espinocerebelosa do tipo 3 (SCA3), é o subtipo de SCA mais comum a nível mundial. A DMJ é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante, cuja idade média de início dos sintomas é 40 anos. Na DMJ, vários sistemas neurológicos são afetados em graus variáveis em cada doente, nomeadamente o cerebeloso, piramidal, extrapiramidal, periférico e oculomotor, o que origina um quadro clínico complexo. Atualmente a DMJ não possui um tratamento, mas existem algumas terapias que ajudam a atenuar sintomas específicos. A fisioterapia pode desempenhar um papel fundamental no controlo ou estabilização da gravidade da ataxia, através de sessões de treino físico baseadas em exercícios de equilíbrio e estabilidade postural, coordenação e locomoção. Estudos recentes sobre a DMJ indicam que as sessões de exercícios terapêuticos estão associadas à redução dos sintomas cerebelosos (ataxia) e à melhoria das atividades funcionais, contribuindo para ganhos no equilíbrio postural dinâmico. Estes, no entanto, têm uma natureza exploratória. Além disso, dada a grande variabilidade clínica da DMJ é provável que os planos de intervenção fisioterapêutica necessitem de ser personalizados, considerando as manifestações clínicas específicas de cada indivíduo. De forma a analisar o papel da fisioterapia na DMJ, nesta dissertação realizou-se uma análise retrospetiva de 80 portadores da mutação da DMJ da coorte açoriana. A partir da compilação de dados clínicos e hábitos de vida (incluindo fisioterapia), recolhidos no âmbito do projeto European Spinocerebellar Ataxia type 3/Machado-Joseph disease Initiative (ESMI), foi feita uma caracterização da frequência e progressão das principais manifestações clínicas classificando-as em restrições, limitações e défices. Esta caraterização permitiu estratificar os portadores de DMJ em grupos de intervenção fisioterapêutica, possibilitando a criação de uma proposta de plano de intervenção fisioterapêutico adaptado a cada grupo. Perspetiva-se que este plano contribua para um melhor controlo de atividades funcionais, como a marcha e cortar a comida/uso dos talheres, nos portadores da DMJ. Espera-se ainda que, após aplicação de um estudo piloto, este plano possa ser implementado e, assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos doentes com DMJ.
Plano de Segurança para Zonas Comuns do Campus de Ponta Delgada da Universidade dos Açores
Publication . Furtado, Gonçalo Ricardo Pereira; Barros, Maria João Fraga Freire; Vasconcelos, João Carlos Gaspar de
O Plano de Segurança é um documento que resume um conjunto de medidas de autoproteção, destinadas a minimizar os riscos potencializadores de danos, que podem ocorrer em estabelecimentos e recintos. Dessa forma, o Plano de Segurança é um instrumento essencial para garantir a proteção de todos os ocupantes de um determinado espaço, perante a riscos externos e internos. O plano deve conter várias medidas e procedimentos que, em caso de emergência, sejam úteis para garantir a maior segurança possível dos ocupantes, bens, como também do próprio edifício. As principais bases deste trabalho foram o Decreto Legislativo Regional n.º 6/2015/A, de 5 de março, na sua redação atual, que estabelece Regime Jurídico de Segurança Contra Incêndios na Região Autónoma dos Açores (RJ-SCIEA). No que respeita à regulamentação SCIE, foi utilizada a Portaria n.º 1532/2008, de 29 de dezembro, na sua redação atual. Ainda recorremos à Lei n.º 27/2006, de 3 de julho (Lei de Bases da Proteção Civil). Neste trabalho em específico, o Plano de Segurança aplicar-se-á ao Campus Universitário de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde o seu principal objetivo é descrever medidas e procedimentos que garantam a maior segurança possível no espaço universitário. Além dos riscos de incêndio, fugas de gás, entre outros, é importante referir que dado à localização geográfica dos Açores, existe uma grande probabilidade de ocorrência de alguns perigos de origem natural, como são o exemplo dos sismos e erupções vulcânicas, e, devido a isso, a implementação de um plano desta natureza é imprescindível neste contexto. Ao longo do trabalho, será feita a identificação dos principais riscos a que o campus está exposto e a sua respetiva avaliação, complementando com as medidas de autoproteção e procedimentos, fazendo com que os utilizadores deste espaço saibam como atuar numa iminência de emergência.
O Loan-to-Value e o efeito de realocação na concessão de crédito bancário
Publication . Gaspar, Beatriz Pereira; Teixeira, João Carlos Aguiar; Matos, Tiago Filipe Almeida
A presente dissertação investiga o papel do rácio Loan-to-Value (LTV) na dinâmica da concessão de crédito bancário, considerando os segmentos de crédito à habitação, crédito ao consumo e crédito às empresas. O estudo recorre a uma amostra de 290 bancos distribuídos por 36 países, no período de 2005 a 2023, com dados obtidos a partir da base BankFocus. Para garantir consistência e fiabilidade, os valores extremos foram eliminados através do corte nos percentis 1% e 99%. A metodologia baseia-se no modelo System Generalized Method of Moments (SGMM), adequado para dados em painel dinâmico e que permite lidar com potenciais problemas de endogeneidade. A robustez dos resultados foi assegurada através do teste de Hansen, que analisa a validade dos instrumentos, e do teste de Arellano-Bond, que verifica a ausência de autocorrelação de segunda ordem nos resíduos. Os principais resultados mostram que o rácio LTV influencia de forma diferenciada os vários segmentos de crédito: aumenta a concessão de crédito habitação, mas associa-se a uma redução no crédito ao consumo e no crédito às empresas, revelando efeitos de substituição e realocação de recursos. Adicionalmente, a análise quantílica demonstra que estes efeitos não são homogéneos em toda a distribuição, evidenciando diferentes comportamentos consoante as características das instituições bancárias. De facto, este trabalho contribui para a literatura ao fornecer evidência empírica sobre o impacto do LTV na estrutura de crédito bancário internacional, reforçando a importância da sua utilização como instrumento macroprudencial e alertando para a necessidade de um ajustamento criterioso das políticas regulatórias.
Comportamento das famílias em relação às energias renováveis em contexto doméstico: O caso dos Açores
Publication . Ferreira, Tomás Sousa; Silva, Francisco José Ferreira
A descarbonização do setor residencial é um pilar central das estratégias climáticas globais, dada a sua substancial parcela no consumo de energia. A presente tese tem como objetivo central dar um contributo para desconstruir esta temática, analisando o complexo conjunto de fatores que determinam o comportamento energético doméstico. A literatura demonstra que os fatores psicológicos e sociais, como a perceção de benefícios pessoais e a influência dos pares, exercem uma maior influência que a mera preocupação ambiental abstrata, no que concerne à utilização de energias renováveis e a práticas de eficiência energética. Por outro lado, a incerteza, seja ela financeira, técnica ou estrutural, é a barreira mais premente, nestes mesmos domínios. Através de um inquérito realizado aos agregados familiares da Região Autónoma dos Açores, analisaram-se as perceções, hábitos e padrões de consumo desta população. A análise estatística recorre a três metodologias principais: a regressão linear múltipla; o modelo da teoria de resposta ao item; e o modelo de equações estruturais. Conclui-se que o recurso e utilização de energias renováveis não é sinónimo de consumo ecológico. A transição energética doméstica parece ser primariamente impulsionada por fatores socioeconómicos, e não por uma consciência ecológica que se traduza em moderação. Estas conclusões têm implicações ao nível das políticas públicas e dos programas de incentivos, que podem ter de ser reformulados. É importante o desenho de políticas focadas no pós-aceitação e respetiva utilização, que previnam o efeito ricochete e garantam que os investimentos tecnológicos resultam numa efetiva redução do consumo de energia.