FCAA - Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente
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Percorrer FCAA - Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente por orientador "Arroz, Ana Margarida Moura"
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- Agualva, 2009!: vivências de uma cheia e atribuições de responsabilidadePublication . Neves, Isabel de Jesus Cunha; Rodrigues, António Félix Flores; Arroz, Ana Margarida MouraEsta investigação procura identificar os condicionantes de eventos meteorológicos extremos na freguesia da Agualva, ilha Terceira, Açores, estimar a sua probabilidade de ocorrência, evidenciar as principais vulnerabilidades da freguesia e apreender o modo como estas situações são avaliadas pela população, visando promover uma modificação de práticas que possibilite gerir e atuar de modo mais eficaz perante fenómenos desta natureza. O estudo dividiu-se em duas fases. Na primeira fase, procedeu-se ao levantamento do registo de eventos extremos desta natureza, que tenham ocorrido nessa localidade e ao nível ilha, e na segunda fase, entrevistaram-se cidadãos afetados por um evento pontual, bem como peritos, órgãos do poder local e municipal. Os resultados sugerem que, com base nos 500 anos em análise, enquanto a probabilidade de ocorrência de um evento atmosférico extremo noutra freguesia da ilha Terceira é de apenas 2,7%, na freguesia da Agualva é de 33%, o que significa que o potencial de risco nessa localidade é muito maior do que noutra localidade da ilha. Da análise das entrevistas, foi possível concluir que a maioria dos cidadãos entrevistados consideram que o evento ocorrido em 2009 na freguesia da Agualva foi muito grave e que a sua causalidade foi a força da natureza, tem consciência que poderá voltar a ocorrer um evento desse tipo, devido à orografia do terreno e também por não ter sido um acontecimento isolado. Quanto à controlabilidade, é uma relação entre a incerteza e a vulnerabilidade social, contudo para os entrevistados não se pode controlar uma ocorrência desta natureza. No que se refere à gestão do risco, no período antecedente conseguem identificar os fatores de risco, mas o conhecimento sobre o mesmo não existe, fazendo com que reajam apenas depois do evento. Já no período de ocorrência do evento, reconhecem a existência da coordenação das entidades e autoridades como positiva daí depositarem muita confiança nas mesmas, enquanto no período sucedente ao evento, os cidadãos manifestam um discurso preventivo com a implementação de medidas de reforço de infraestruturas. Finalmente no período pós-catástrofe os cidadãos sentem segurança perante as obras de requalificação que já foram implementadas, contudo sugerem a fiscalização mais regular com aplicação de coimas elevadas, com o objetivo de sancionar a população que apresenta comportamentos anti-ambientais. É de realçar o papel da proteção civil na gestão da catástrofe, uma vez que foi a entidade coordenadora das demais entidades. O trabalho dos agentes sociais, quer assistentes sociais como voluntários, foi eficaz e reconhecido por todos os cidadãos entrevistados. Tanto as autoridades como as entidades que estiveram a prestar auxilio à população, veem da parte dos cidadãos depositado um elevado grau de confiança, devido à sua prestação imediata.
- A comunicação de risco na mitigação das alterações climáticas : como promover práticas pró-ambientaisPublication . Ferreira, Tânia Marisa Cordeiro; Arroz, Ana Margarida Moura; Rodrigues, António Félix FloresNesta investigação coloca-se ênfase na comunicação de risco ou comunicação de risco ambiental como estratégia fundamental de transmissão de conteúdos audiovisuais que poderão conduzir a ações de minimização do risco das alterações climáticas. Nesse contexto, levanta-se a seguinte questão de investigação: Quais serão os atributos necessários a uma comunicação de risco eficaz na alteração de conhecimentos e/ou ações acerca das alterações climáticas e dos seus impactos na paisagem terceirense? Assim sendo, apresenta-se como principal objetivo o seguinte: conhecer/descobrir as ferramentas e estratégias informativas necessárias para criar um dispositivo de comunicação de risco eficaz que se traduza em conhecimentos e/ou ações de mitigação do risco ou das consequências das alterações climáticas globais. São várias as etapas metodológicas necessárias ao desenvolvimento do doutoramento e à concretização do fito da investigação, salientam-se as seguintes: avaliar conhecimentos, perceções ambientais e representações das práticas de indivíduos; elaborar cenários de risco; construir e testar comunicações de risco; identificar os atributos subjacentes a uma comunicação de risco eficaz. As conclusões da presente investigação poderão contribuir para promoção de ações individuais de minimização do risco e para a implementação de medidas de mitigação, numa lógica de governança, envolvendo as dimensões sociais e políticas da gestão pública do risco.
- Consumos juvenis e atitudes ambientais : um estudo exploratório das perspectivas dos alunos do Ensino Secundário na ilha do Pico (Açores)Publication . Pinto, Jacycarla Silva Thé; Gabriel, Rosalina Maria de Almeida; Arroz, Ana Margarida MouraAs problemáticas ambientais ocupam um lugar central nas preocupações da sociedade contemporânea. Partindo da perspectiva do desenvolvimento sustentável e dos questionamentos que o conceito suscita, examina-se o cenário actual de modo a compreender os problemas decorrentes da relação existente entre a sociedade e ambiente. Inúmeros problemas ambientais tem sido estudados no meio académico, mas a questão do consumo emerge como fundamental para uma sociedade sustentável. Assim, este trabalho investiga a compreensão das perspectivas ambientais dos jovens e da sua articulação com as disposições e práticas de consumo. O objectivo principal deste estudo situa-se, assim, ao nível da caracterização das práticas de consumo e atitudes ambientais. A influência exercida pelo nível de consciência ambiental do jovem consumidor e das suas atitudes em relação ao consumo sustentável foram apreciadas, na Ilha do Pico - Açores, através da aplicação de inquéritos por questionário. O trabalho foi realizado dentro das três escolas desta ilha, abrangendo o total dos alunos do secundário e os cursos profissionais, num total de 339 alunos, matriculados. Uma das suas principais mais valias deste estudo reporta-se precisamente ao facto de disponibilizar informação relativamente à generalidade dos alunos do ensino secundário na Ilha do Pico. Quando questionados em relação aos critérios de consumo, os jovens, na sua maioria, responderam que compravam por “Gostar”, resposta que sinaliza alguma irreflexão. No entanto a questão ambiental não lhes passa despercebida. De acordo com as respostas obtidas na aplicação da escala do Novo Paradigma Ecológico, a prudência representa a norma subjectiva deste grupo, incluindo mais de metade dos jovens (58,6%). O peso relativo da confiança, de cerca de um quinto dos inquiridos (19,7 + 2,6%) é ainda menor se atendermos a que a generalidade convive com crenças de carácter aparentemente irreconciliável e típicas dos dois paradigmas em presença na escala NEP. Na percepção destes jovens as soluções para os problemas ambientais relacionados com o consumo é uma responsabilidade directa dos seres humanos. No geral as respostas dos inquiridos deixam subentender a necessidade de um maior debate público sobre o tema, de forma que haver maior consciencialização e responsabilização individual. Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para o delineamento de políticas e programas de intervenção no âmbito da cidadania, de modo a ajudar na formação de jovens mais ambientalmente conscientes do impacto das suas atitudes e valores, sobre o meio ambiente. Espera-se ainda contribuir para o desenvolvimento do conhecimento sobre a articulação entre a consciência ambiental e o consumo em jovens portugueses.
- Desperdício de produtos hortofrutícolas percebido por famílias de uma freguesia citadina nos AçoresPublication . Marinho, Maria Cristina da Silva Ribeiro; Gabriel, Rosalina Maria de Almeida; Arroz, Ana Margarida Moura; Elias, Rui Miguel Pires Bento da SilvaCerca de metade da comida produzida em todo o mundo vai para o lixo. Muitos fatores contribuem para o desperdício, envolvendo aspetos da cadeia de produção tão diversos quanto os modelos intensivos de produção adotados, as condições inadequadas de armazenamento e transporte ou até as promoções que encorajam os consumidores a comprar em excesso. Nos últimos tempos têm surgido vários estudos relacionados com o desperdício alimentar, reconhecendo-o como um caso bem ilustrativo de insustentabilidade, pelas significativas consequências sociais, ambientais e económicas que comporta. Várias facetas do problema estão relacionadas com as escolhas e comportamentos dos consumidores, não só pelas quantidades que compram ou pelas estratégias de conservação que utilizam, mas também pelos critérios de consumo que orientam as suas compras. Em que medida o aspeto, a cor e o formato da fruta e dos legumes serão mais ou menos determinantes na escolha dos frescos do que outras questões como a imoralidade da fome e ética do mercado, a insustentabilidade ambiental ou a proteção do mercado regional, por exemplo? Perceber em que medida os terceirenses estarão despertos para esta problemática levou à realização de um inquérito, por questionário hétero-administrado, que visa caracterizar as perspetivas de 200 famílias da freguesia de Santa Luzia (Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores) acerca da dimensão do desperdício de produtos hortofrutícolas no mundo e as representações que fazem das suas práticas de consumo e de desperdício. Pretendeu-se que os resultados deste estudo permitissem perceber o grau de consciencialização das pessoas relativamente a este fenómeno e identificar os motivos que lhe subjazem, podendo contribuir para fundamentar a conceção de programas de intervenção que visem reduzir o desperdício alimentar. Daí que se tenha dado uma ênfase particular à exploração da recetividade dos inquiridos a produtos que, mantendo a qualidade nutricional, não pertencem à norma elitista dos mais perfeitos, belos e viçosos exemplares. [...].
- Impacto da exposição Insetos em Ordem nas perspetivas e conhecimentos de crianças açorianas acerca de insetos e da naturezaPublication . Mendes, Flávia Alexandra Vieira; Arroz, Ana Margarida Moura; Gabriel, Rosalina Maria de AlmeidaUm dos grandes desafios que se coloca aos cidadãos do século XXI consiste na preservação do ambiente, sendo cada vez mais assumida a necessidade de salvaguarda da equidade entre gerações, assente num modelo de desenvolvimento sustentável. Assim sendo, e para garantir a sustentabilidade do planeta, há necessidade de trabalhar a problemática ambiental, sobretudo devido aos sérios problemas que têm de ser enfrentados, nomeadamente a perda de biodiversidade, a poluição, as alterações climáticas e muitos outros. A divulgação científica é fundamental para o desenvolvimento da ciência, uma vez que esta é responsável pela divulgação de resultados de estudos e pesquisa para a população em geral, garantindo que haja circulação e apropriação de novas ideias. A divulgação científica pode ser aliada às atividades escolares como complemento ao ensino formal. Neste âmbito surge a exposição “Insetos em Ordem”, uma exposição científica interativa, visando transmitir o “segredo” da identificação biológica de animais pequenos e geralmente considerados como muito difíceis de identificar. A exposição desenvolve-se em várias etapas, e tem como objetivo classificar um incesto verdadeiro (envolvido por resina acrílica) na sua Ordem; é um processo sequencial em que, a partir da presença ou ausência de características morfológicas o visitante avança no espaço, alcançando finalmente um painel com a descrição da Ordem de cada exemplar. A exposição foi criada com o objetivo de dinamizar e dar maior visibilidade a atividades científicas e culturais em curso, bem como de valorizar e rentabilizar os melhores recursos nacionais de divulgação científica, mas até agora não foi feita nenhuma avaliação formal junto do público-alvo a que se destinava, para perceber qual o seu impacto. Assim, o objetivo desta tese é avaliar a exposição para saber se foram produzidos os impactos desejados junto de alunos do 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico. A avaliação dos conhecimentos foi feita com um questionário realizado antes, no dia seguinte e cerca de seis semanas depois da visita. O questionário, com perguntas abertas e de resposta forçada, associação livre de palavras e desenho, permite avaliar os conhecimentos e atitudes na área da biodiversidade. A filmagem em vídeo permite aceder às emoções e sensações demonstradas pelas crianças ao contactarem pela primeira vez com o inseto a classificar. Desta forma, avaliámos os aspetos positivos e negativos da exposição junto de crianças, de modo a verificar quais os aspetos a transferir para outras exposições, as possíveis melhorias a introduzir, com o objetivo de obter um instrumento interessante para avaliar o contributo para a divulgação científica de iniciativas similares. Os resultados deste estudo mostram que esta exposição permitiu contornar algumas das resistências das crianças face a estes organismos. Verificou-se que a visita das crianças à exposição Insetos em Ordem pode ser considerada uma boa estratégia de ensino, uma vez que as crianças gostaram da visita e a maioria voltaria a repetir porque aprenderam e foi divertido ao mesmo tempo.
- Impacto de uma intervenção educativa sobre resíduos sólidos urbanos no município de Namibe : contributos para a elaboração de um modelo de educação ambientalPublication . Culo, Job Moniz da Silva; Gabriel, Rosalina Maria de Almeida; Arroz, Ana Margarida MouraA produção de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) é uma consequência inevitável da forma como o Homem se tem relacionado com a natureza. Todavia o maior ou menor grau de poluição por eles originados, deve-se sobretudo a deficiência da sua gestão, o que sucede em muitas comunidades, nomeadamente aquelas onde pretendemos intervir. De facto, a falta de sensibilização, planeamento, gestão e intervenção são preocupantes no município do Namibe, uma zona com características desérticas, situada no sudoeste de Angola. A educação dos jovens é um dos primeiros passos para a sensibilização da população, já que estes podem intervir para promover o bem-estar das comunidades e auxiliar na mitigação do problema. Sendo assim, os objectivos deste trabalho incluem: (1) a realização de intervenções de Educação Ambiental no âmbito dos Resíduos Sólidos Urbanos que permitam enriquecer, simultaneamente, o currículo escolar com a exploração de temas transversais e promover uma cidadania ativa junto de 70 alunos da 7ª classe do I Ciclo do Ensino Secundário em duas escolas da cidade do Namibe (Escola 1º de Maio e Escola São João Paulo II), bem como junto dos seus pais e encarregados de educação; (2) a avaliação dos resultados e dos impactos dessa intervenção educativa; e (3) conceber um modelo de promoção de Educação Ambiental na Escola para o Município do Namibe, promovendo o interesse e participação das comunidades em acções concretas. A metodologia utilizada incluiu uma avaliação diagnóstica (inquéritos por questionário em Março de 2015), a intervenção educativa propriamente dita, teve a duração de oito meses (32 h de aulas teóricas e 48 h de trabalhos nos jardins, sanidade da escola, uso racional da água, deposição e recolha dos resíduos) e finalmente uma recolha de dados finais (inquérito por questionário em Abril de 2016). Além dos questionários foram ainda obtidos desenhos sobre o ambiente e foi feita uma avaliação de comportamentos, como a recolha de pilhas usadas. Os pais e encarregados de educação (PEE) também foram inquiridos, no final da intervenção. Os resultados mostram que as crianças têm perspectivas mais negativas de ambiente do que os seus PEE, valorizando mais os resíduos e a higiene. Todos reconhecem a existência de um problema ambiental relacionado com os resíduos sólidos no bairro Forte de Santa Rita, onde residem. A maioria das crianças afirma caminhar em média 20 minutos para se descartar dos resíduos sólidos produzidos pela família, embora os PEE estimem valores ainda mais elevados. As crianças envolveram-se seriamente no concurso “Vamos separar pilhas”, coligindo centenas de pilhas junto dos seus agregados familiares e amigos. As crianças defendem a separação de RSU sobretudo para poder viver num local organizado e limpo, evitar doenças e para melhoria do ambiente. As crianças responsabilizavam sobretudo a Administração Comunal e a Administração Municipal pela correcta gestão dos RSU, mas após a intervenção educativa essa responsabilidade passou a ser assumida por “todos”, opinião partilhada pelos PEE. Também após a intervenção, a maioria das crianças acha possível acabar com as lixeiras no município do Namibe, o que não acontecia antes. A avaliação desta intervenção educativa possibilitou maior sensibilização e informação dos alunos e seus pais (como previsto), sensibilização dos professores e corpos gerentes das escolas (efeito adicional) e também estimulou a recolha e separação de pilhas. Esta atividade enriqueceu o currículo escolar, produziu alterações nos conhecimentos e opiniões dos alunos e sensibilizou os seus pais e encarregados de educação, bem como os professores. Os alunos e os seus PEE atribuem grande importância à disciplina de Educação Ambiental, porque educa o homem a gostar e cuidar do ambiente, com vista à sua preservação e ao desenvolvimento da qualidade de vida, maior organização e salubridade no município. Por outro lado, a existência da disciplina de Educação Ambiental é valorizada porque tem como objectivo ensinar a conhecer mais o ambiente, ser higiénico, preparar o futuro, não permitindo que esta geração cometa os mesmos erros que a do passado o que ajudará o homem a viver num clima apropriado com água à disposição e boa alimentação. Em função da relevância atribuída à disciplina de Educação Ambiental e dos resultados obtidos neste estudo é suportado um modelo interdisciplinar para a sua lecionação, em vez do actual modelo multidisciplinar. As mudanças de atitudes por parte dos alunos, pais e encarregados de educação, bem como dos professores devem ser trabalhadas nas famílias, escolas e outros sectores da sociedade. O Governo deve evidenciar mais esforços no sentido de minimizar os problemas na gestão do tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos, bem como na conservação e preservação do meio ambiente para permitir que as escolas e cidades tenham um saneamento básico regular.
- Objeto de desejo e estratégia de marketing: um estudo do valor de uso da natureza na publicidade televisiva de dois canais portuguesesPublication . Santos, Isabel Cristina Vaz; Arroz, Ana Margarida Moura; Dentinho, Tomaz Lopes Cavalheiro PonceAssiste-se actualmente a uma visibilidade crescente dos problemas ambientais, da mesma forma que as problemáticas da sustentabilidade e da protecção da biodiversidade começam a afirmar-se nas agendas políticas nacionais e internacionais. Mas que papel têm desempenhado os media nesta consciencialização ambiental? A audibilidade conquistada pelos media junto da generalidade dos portugueses e, em particular da televisão, bem como o seu estatuto de opinion makers – documentados por diversas sondagens nacionais do OBSERVA – vêm sublinhar a relevância de procurar perceber que papel têm desempenhado na sensibilização ambiental dos cidadãos. No entanto, o presente estudo não se debruça sobre o papel dos media na divulgação explícita desta agenda, mas sobre as representações sociais da relação dos seres humanos com a Natureza que são disseminadas através da publicidade, uma vez que para promover a proximidade dos consumidores ela veicula representações e estereótipos dominantes na sociedade, ao mesmo tempo que o seu poder de persuasão a torna um poderoso instrumento pedagógico. Esta pesquisa procura descortinar que modelos de intereacção entre seres humanos e natureza são veiculados pelos anúncios televisivos de modo a dar resposta a uma questão essencial relativa à caraterização das actuais representações sociais da Natureza, pelo carácter constintuinte que estas podem desempenhar na promoção da sustentabilidade na nossa relação com o ambiente. Por meio de revisão de literatura, pesquisa documental, e análise de conteúdo de uma amostra da publicidade emitida em dois canais nacionais, este estudo permitirá, também, reflectir sobre as concepções de natureza existentes, visando contribuir com esta desconstrução crítica para uma tomada de consciência do papel que um dos principais veículos de comunicação social está a desempenhar em prol da protecção e respeito pela Natureza. No nosso estudo foram analisados 284 anúncios, de entre os quais 40 manifestaram a presença da natureza. A sua presença na maior parte dos anúncios, reverte-se para segundo plano, uma vez que a intenção é promover um determinado produto recorrendo a esta temática como contexto ou como meio para o subsidiar. Numa percentagem inferior, a natureza aparece como protagonista da narrativa, em anúncios de turismo cujo objectivo é "vendê-la" como um destino de férias, ou em anúncios que a focam como algo a respeitar e a proteger.
- Património imaterial etnobotânico na Serra do Buçaco : relevância e estratégias de preservaçãoPublication . Branco, Soraia Patrícia Lousado; Gabriel, Rosalina Maria de Almeida; Arroz, Ana Margarida MouraO conhecimento tradicional sobre as plantas faz parte do património imaterial de cada povo e nos vários estudos etnobotânicos realizados até à data tem-se observado que este está em declínio. Em alguns países da Europa este conhecimento já é considerado perdido, mas sendo Portugal um dos países Europeus com mais população a viver em áreas rurais é ainda possível encontrar quem viva em íntima relação com as plantas e saiba usá-las para vários fins. Existe por parte da comunidade científica interesse em resgatar este conhecimento quer para manutenção do património e identidade culturais, quer como estratégia de valorização do património natural, quer pela utilidade que este conhecimento pode ter como complemento do conhecimento científico. O presente estudo foca-se na Serra do Buçaco por ser um dos bastiões de diversidade botânica do país e contar com comunidades rurais residentes nas proximidades. Os três grandes objetivos deste trabalho foram 1) Recolher o conhecimento tradicional etnobotânico quer por escrito quer em vídeo; 2) Analisar as dinâmicas intergeracionais de transmissão de conhecimentos e a sua continuidade; 3) Perceber se existe interesse por parte dos habitantes da Serra em que este conhecimento seja preservado e de que maneiras. Foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas em nove aldeias, a um total de 60 entrevistados, de ambos os sexos e diferentes idades pertencentes a três gerações diferentes dentro de cada família, a viver ou não nas comunidades rurais. Registaram-se no total 99 taxa pertencentes a 42 famílias botânicas. Foram mencionados 115 usos específicos diferentes para estas plantas, tendo estes usos sido agrupados em sete categorias de uso. A Geração mais velha (G1) mencionou mais 47% plantas diferentes do que a geração mais nova (G3). O maior número de citações foi registado nas entrevistas aos informantes com idades compreendidas entre 61 e 70 anos, e o número mais baixo nas entrevistas aos informantes menores de 20 anos. As mulheres mencionaram, no geral, mais plantas do que os homens. Os elementos da G3 admitiram saber menos 70% da informação acerca do uso e procedimentos das plantas que mencionaram do que os seus avós. Contudo a grande maioria dos entrevistados (97%), mesmo os mais novos, considera que é importante preservar o conhecimento etnobotânico. Existe bastante interesse por parte da geração intermédia em saber mais sobre este assunto, e os conhecimentos tradicionais continuam a ser transmitidos, sobretudo por via familiar. Existem vários fatores que condicionam a utilização das plantas por parte dos habitantes da Serra, muitos deles inerentes a tendências próprias da evolução humana, mas também devido a alterações na abundância das espécies úteis nos ecossistemas naturais. Estudos como este ajudam-nos a perceber a importância cultural das plantas para as pessoas fornecendo argumentos a favor da conservação do património natural.
- Reinventar o futuro em sintonia com a identidade : traçado de uma ecovia que potencie os patrimónios natural e cultural dos terceirensesPublication . Ribeiro, Flora Simões; Arroz, Ana Margarida Moura; Pereira, Dinis Manuel TeixeiraA ilha Terceira, sendo uma ilha do arquipélago dos Açores, com cerca de 400 km2, torna possível e fácil a deslocação das pessoas de bicicleta, diminuindo o impacto dos combustíveis fósseis. Como a velocidade atingida é inferior à de um carro, é possível apreciar a natureza omnipresente sem lhe causar grande impacto. O acentuado crescimento de um turismo de natureza nas ilhas vem, a par do incremento de estilos de vida saudáveis junto dos residentes, reforçar a necessidade de criar condições para que as pessoas possam usufruir deste meio de transporte alternativo, desfrutando em segurança dos recursos paisagísticos existentes. É, neste sentido, que surge a ideia de criar uma ecovia. A sua implementação exige, todavia, que seja ponderado um conjunto de vertentes tão distintas quanto: as questões climáticas e orográficas do terreno, os recursos naturais e culturais, o ordenamento do território, as infraestruturas existentes, entre outras. Para a escolha do traçado, que melhor valorize estas caraterísticas, foi necessário recorrer a um conjunto de informações indagadas pela investigadora e ao saber especializado e processado de peritos, através de entrevistas, que sustentaram posições muito distintas sobre esta questão. A informação recolhida foi projetada em diferentes mapas, através dos SIG, possibilitando o traçado de diferentes cenários possíveis, dividido em vários troços, que delimitaram as áreas com maior aptidão para implementação de uma ecovia na Ilha Terceira. Desta forma, a metodologia adotada assumiu um caráter multidisciplinar, desenvolvida em três momentos distintos: no tratamento de recolha de dados, no processo de análise de dados e na apresentação e discussão dos resultados obtidos da 1ª proposta do traçado edafoclimático e da 2ª proposta do traçado com a valorização dos patrimónios naturais e histórico-culturais da ecovia, bem como a apresentação das conclusões. A proposta do traçado final é a mais confiável para a implementação de uma ecovia na Ilha Terceira, pois resultou de uma metodologia diversificada e robusta, que emergiu do conhecimento de profissionais, recolhido e testado através de métodos e ferramentas, tornando-se crucial para estar à altura do dinamismo exigido por este projeto.
