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Repositório da Universidade dos Açores

Repositório Institucional da Universidade dos Açores

 

Entradas recentes

Como nasceu o Universo que conhecemos hoje?
Publication . Lima, Margarida; Gomes, Cláudio; Coordenação e edição de Armindo Rodrigues (FCT-UAc)
Tudo o que vemos à nossa volta teve um começo: estrelas, galáxias e até nós. A pergunta, talvez um pouco filosófica, de “Como tudo começou?” acompanha-nos desde os primeiros momentos do pensamento humano. Ao longo de muitos anos, fomos tentando reconstruir essa história, desde aquilo que conseguimos observar diretamente até ao que permanece invisível.
O tempo na língua – o caso dos tempos verbais
Publication . Alves, Ana Teresa; Coordenação e edição de Ana Teresa Alves (FCSH-UAc).
O tempo é um tema inesgotável, motivo de inspiração para poetas, objeto de estudo para os físicos e outros cientistas, algo que condiciona os nossos dias e marca as nossas vidas de forma inexorável.
Spider vertical stratification in addressing colonization and ecology of Macaronesia islands forest communities
Publication . Costa, Ricardo Pires da; Borges, Paulo Alexandre Vieira; Cardoso, Pedro Miguel Bondoso; Rigal, François
As ilhas oceânicas são laboratórios naturais, onde os cientistas têm vindo a testar várias hipóteses sobre biodiversidade, ecologia e evolução. Estes sistemas são conhecidos por serem desproporcionalmente ricos em biodiversidade endémica que não existe em mais nenhum lugar. O dinamismo natural destes arquipélagos aquando a sua formação e desenvolvimento e o seu isolamento conduz à formação de ecossistemas únicos, muitas vezes muito distintos dos observados nos continentes. No entanto, estas mesmas características tornam as suas comunidades nativas altamente afetadas pelas atividades humanas, pelas alterações climáticas e pela propagação de espécies introduzidas direta ou indiretamente pelo ser humano. As florestas húmidas nativas dos arquipélagos da Macaronésia, que se podem encontrar nos Açores, Madeira e Ilhas Canárias são um bom exemplo de um desses sistemas. Nas últimas duas décadas, as suas comunidades de artrópodes endémicos (especialmente as aranhas) têm sido utilizadas como organismos modelo para estudar muitos aspetos da macroecologia, evolução e conservação das espécies insulares que se podem encontrar nestes sistemas. Estes organismos são abundantes e diversos entre os muitos microhabitats que se encontram ao longo do gradiente vertical das florestas nativas, o qual é conhecido por afetar grande parte da sua ecologia. Esta tese tem como objetivos: i) investigar a diferença na verticalidade entre aranhas adultas e juvenis; ii) compreender a relação entre o estrato preferido das linhagens endémicas de aranhas e a colonização destes sistemas insulares; iii) compreender como os fatores regionais e locais podem afetar a diversidade local das aranhas em diferentes microhabitats ao longo do gradiente vertical; e, finalmente, iv) como as espécies de diferentes origens de colonização (endémicas, nativas não endémicas e introduzidas) diferem nos seus padrões verticais entre os arquipélagos da Macaronésia. Este trabalho demonstrou que a verticalidade média das aranhas insulares é relevante em termos de dispersão a grandes distâncias, num contexto de colonização insular por taxas mais arborícolas, na dispersão entre ilhas por espécies nativas não endémicas que tendem a ser arborícolas, e na tendência de grupos conhecidos por serem piores dispersores se deslocarem para microhabitats na copa das árvores, especialmente quando jovens. Apesar deste filtro de colonização favorecer os habitantes arbóreos na chegada às ilhas, os arquipélagos ainda diferiam muito nas suas comunidades de aranhas. As comunidades de aranhas dos Açores parecem as mais pobres na sua diversidade taxonómica, filogenética e funcional em comparação com os demais arquipélagos, embora os padrões pareçam ser dependentes do estrato considerado. Isto pode ser devido ao isolamento e idade dos Açores, assim como pela sua história recente de colonização humana. Devido a este último ponto as florestas nativas dos Açores são as mais ricas em aranhas introduzidas, que ocorrem em todo o gradiente vertical estudado. Este estudo destaca a importância de considerar o micro-habitat ao longo do gradiente vertical das florestas das aranhas insulares quando tentamos compreender diferentes aspetos da sua diversidade, ecologia e evolução. Este mostra que a posição das aranhas no gradiente vertical parece depender da sua ecologia, tais como a sua propensão para a dispersão por dispersão por fios de seda (‘ballooning’), as suas estratégias de caça, a fase de vida e também se são nativas das ilhas estudadas ou não. O presente trabalho propõe então que esta dimensão vertical seja tida em conta quando os estudos tentam compreender os padrões macro ecológicos encontrados nas comunidades de aranhas. Além disso, este estudo mostra a importância da aplicação de protocolos padronizados na recolha de dados de biodiversidade, onde é adotada uma abordagem em várias camadas para coletar diferentes tipos de informações sobre a diversidade da comunidade.
Impacto da sustentabilidade financeira no sucesso das sociedades desportivas em Portugal
Publication . Silva, José Carlos Moniz Faria da; Couto, Gualter Manuel Medeiros do; Pimentel, Pedro Miguel Silva Gonçalves; Almeida, António Manuel Martins de
Esta tese analisa em que medida a sustentabilidade económico-financeira influencia o sucesso desportivo das Sociedades Desportivas (SDs) da Primeira Liga portuguesa, entre 2013/14 e 2022/23. A base empírica, no formato de dados em painel, integra 178 observações anuais e 39 rácios financeiros construídos a partir das demonstrações financeiras do universo das 30 SDs que participaram na I Liga no período. O desenho metodológico combina análise descritiva longitudinal, aplicação do Z-Score de Altman (versão para empresas não industriais) e modelos de regressão (logística binária para “despromoção” e linear múltipla para “pontos”). Os resultados mostram (i) assimetrias estruturais persistentes entre um grupo restrito de clubes com maior escala económico-financeira e o restante universo; (ii) fragilidade patrimonial recorrente, com capitais próprios negativos em parte substancial das SDs ao longo da década; e (iii) evidência de que rácios financeiros explicam o desempenho em “pontos”, enquanto o efeito direto sobre a classificação e determinante da “despromoção”. Destacam-se rácios ligados ao esforço salarial e à pressão de tesouraria de curto prazo surgem associados a menos pontos, enquanto indicadores de eficiência operacional se relacionam positivamente com o desempenho. O Z-Score confirma prevalência de stress financeiro e deterioração em momentos de choque (ex.: pandemia). A análise “antes/depois” da descida evidencia quebra relevante de rendimentos e maior pressão sobre a liquidez no ano subsequente. O estudo contribui com evidência longitudinal para o debate regulatório e de gestão, sugerindo: reforço de métricas prudenciais (especialmente massa salarial/receitas), diversificação de fontes de receita e mecanismos de mitigação do impacto da despromoção. No plano explicativo, modelos de regressão mostraram que, apesar de rácios isolados não terem efeito direto robusto sobre a probabilidade de despromoção quando avaliados por logística binária, a regressão linear identificou rácios com impacto estatisticamente significativo no desempenho desportivo (pontos), destacando‑se Remunerações/Gastos, Ativo Corrente / Passivo Corrente, Tesouraria / (Vendas e Prestação de Serviços), Passivo Corrente /Passivo Total e EBITDA / (Vendas e Prestação de Serviços), como preditores consistentes.
Production, characterization and food application of lactic acid bacteria-derived exopolysaccharides with health-promoting benefits
Publication . Jurášková, Dominika; Silva, Célia Costa Gomes da; Ribeiro, Susana I. C.
Os exopolissacáridos (EPS) produzidos por bactérias do ácido láctico (BAL) são polímeros multifuncionais que têm atraído uma atenção crescente devido à sua dupla função nos sistemas alimentares e na saúde humana. Apesar da grande diversidade de EPS derivados das BAL, a investigação sistemática que relaciona as suas características estruturais com as propriedades tecno-funcionais e promotoras de saúde, permanece escassa. Esta tese de doutoramento teve como objetivo estudar os EPS produzidos por estirpes de BAL selecionadas, combinando uma revisão do estado da arte com estudos experimentais. O trabalho foi estruturado em torno de três objetivos principais: (i) fazer uma revisão bibliográfica sobre a diversidade estrutural, biossíntese e propriedades funcionais dos EPS produzidos por BAL, com ênfase na sua aplicação nos alimentos e na saúde; (ii) caracterizar o EPS produzido pela estirpe Leuconostoc mesenteroides SJC113 (isolada do queijo de São Jorge) e avaliar suas propriedades tecnológicas e funcionais, bem como investigar os efeitos benéficos (como prebiótico) para a saúde humana (iii) caracterizar as estirpes produtoras de EPS de Streptococcus thermophilus isoladas do leite de cabra, ao nível tecnológico e segurança, com especial relevo à caracterização do EPS da estirpe GM4. Uma extensa revisão de literatura foi conduzida apresentando os últimos avanços dos EPS produzidos pelas LAB, incluindo: (i) a estrutura, biossíntese e propriedades dos EPS; (ii) os métodos mais recentes utilizados na sua caracterização; (iii) a aplicação do EPS nos laticínios e em alimentos com baixo teor de gordura; e (iv) os efeitos do EPS na promoção da saúde, incluindo atividades prebióticas, antioxidantes e redutoras de colesterol. O primeiro estudo experimental abordou o EPS produzido pela estirpe Ln. mesenteroides SJC113. A caracterização estrutural confirmou ser um homopolissacárido do tipo dextrano, resistente à hidrólise pela dextranase e de elevado peso molecular. Este EPS apresentou propriedades antioxidantes e de ligação ao colesterol, enquanto a estirpe exibiu atividade de β-galactosidase e resistência às condições gastrointestinais. A avaliação de segurança demonstrou a ausência de genes de virulência e suscetibilidade a antibióticos. Quando aplicados no queijo fresco sem gordura, o EPS melhorou a capacidade de retenção de água e as propriedades reológicas e sensoriais, confirmando o seu papel como substituto natural de gordura. O segundo estudo investigou os potenciais efeitos promotores de saúde do EPS produzido por esta estirpe. Estudos in vitro demonstraram a sua capacidade em promover o crescimento de BAL probióticas, aumentar a adesão à mucina e modular positivamente a composição da microbiota intestinal. A capacidade antioxidante e as propriedades de redução do colesterol reforçaram a sua funcionalidade como um componente bioativo. Estes resultados apontam para a natureza prebiótica deste EPS e a sua potencial função na modulação da microbiota intestinal e na saúde cardiovascular. O terceiro estudo caracterizou quatro estirpes de S. thermophilus produtoras de EPS (GM1-GM4), isoladas de leite de cabra, para avaliar seu potencial para uso em produtos lácteos funcionais. A segurança de GM4 foi confirmada por testes de atividade hemolítica, DNase e gelatinase, e pela presença de genes de virulência e resistência a antibióticos. A estirpe GM4 exibiu alta atividade da β-galactosidase e seu potencial probiótico foi confirmado pela elevada capacidade de autoagregação e coagregação com patógenos como Escherichia coli, Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus. Os EPS purificados foram identificados como heteropolissacáridos compostos essencialmente por glucose e manose, com alta resistência à dextranase e atividade antioxidante. A estirpe GM4 destacou-se pela sua segurança, sendo tecnologicamente versátil e funcional, produzindo EPS com propriedades bioativas, sendo por isso uma forte candidata para incorporação em alimentos funcionais. No conjunto, esta tese demonstrou que os EPS derivados de BAL são moléculas multifuncionais que associam a inovação tecnológica e promoção da saúde. Ao combinar estudos estruturais, funcionais e orientados para a aplicação, ela fornece novas perceções sobre o papel duplo dos EPS como agentes estruturais e ingredientes bioativos nos alimentos. Essas descobertas contribuem para o desenvolvimento de alimentos funcionais “clean label” e destacam o potencial das estirpes de BAL como uma fonte de biomoléculas com benefícios para a saúde.