DLLC - Teses de Doutoramento / Doctoral Thesis
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Percorrer DLLC - Teses de Doutoramento / Doctoral Thesis por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Humanidades::Línguas e Literaturas"
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- A escrita de Ilse Losa para a infância e a juventudePublication . Macedo, Ana Cristina Vasconcelos Pereira; Silva, Maria Madalena Marcos Carlos Teixeira da; Gomes, José António de Magalhães[…]. Em termos estruturais, o nosso trabalho apresenta seis secções. Na primeira, de caráter panorâmico e informativo, damos conta dos principais momentos da vida da Escritora, tendo sido nossa preocupação evitar excessos biografistas e considerar tão somente aspetos que enformam uma vivência histórica e sociocultural que permite um circuito de leitura aberto que vai «de l’oeuvre à l’auteur, pour se rétourner sur l’oeuvre, et non de l’auteur à l’oeuvre, pour se renfermer sur l’auteur» (Doubrovsky, 1966, p. 220). Neste primeiro apartado, dedicamos ainda um espaço à apresentação global da Obra de Ilse Losa, considerando quer as narrativas de ficção para adultos quer a sua obra pedagógica e, ainda, a participação da Autora na vida cultural portuguesa e alemã, manifestada, esta última, pela intensa colaboração na imprensa periódica nacional e pelo trabalho de tradução do sistema linguístico português para o alemão e vice-versa; na segunda secção, o romance inaugural da Autora é objeto de uma leitura crítica que incide, numa primeira etapa, sobre a inscrição e a significação da voz enunciadora do discurso sobre o exílio e os obstáculos concetuais que inviabilizam uma classificação autobiográfica do romance que inaugurou a sua atividade de escrita em 1949 – O Mundo em que Vivi. Pela importância de que se reveste este livro na Obra literária da Escritora, pela novidade temática e pelo caráter ambivalente do texto em termos de receção, exploramos as condições estéticas e culturais que terão contribuído para a transposição do romance do sistema da literatura para adultos para o sistema infantil, num movimento a que Sandra Lee Beckett (2009) designou por crossover fiction; no terceiro capítulo, analisamos e interpretamos a obra narrativa de Ilse Losa para a infância e a juventude, que dividimos em narrativas de contornos realistas e de contornos fantásticos, de acordo com o maior ou menor grau de figuração ou representação literária do «real», isto é, de acordo com a relação de credibilidade que o mundo de papel estabelece com o mundo empírico do escritor e do leitor e com os mecanismos (internos e externos ao texto) de reconhecimento ou de rejeição dessa relação entre mundos; numa quarta secção, consideramos os textos dramáticos. O último capítulo, de pendor hermenêutico, que denominamos «lugar de Ilse Losa na literatura para a infância e a juventude em Portugal», constitui uma sistematização dos diferentes núcleos de sentido (técnico-compositivo, temático e ideológico) que constituem os textos analisados e suas relações. Esta sistematização objetiva a confirmação dos aspetos estético-literários e dos mecanismos e situações sincrónicas de produção dos textos que nos levam a considerar a Obra de Ilse Losa participante da corrente estética neorrealista. […]. [da Introdução]
- Projections d’un imaginaire insulaire chez Jérôme Ferrari et Jean-Marie Gustave Le ClézioPublication . Araújo, Ana Sofia Cabral; Faria, Dominique Almeida Rosa de; Gherardi, Eugène F.-X.Esta tese propõe uma análise comparativa do tratamento das ilhas em dois romances franceses, La Quarantaine (1995) de Jean-Marie Gustave Le Clézio, e Le Sermon sur la chute de Rome (2013) de Jérôme Ferrari. Estuda o papel que os autores atribuem às ilhas – as ilhas Maurícia, Rodrigues e Île Plate no caso de Le Clézio, a Córsega no caso de Ferrari – na construção narrativa, nas representações que delas fazem, bem como nas fontes dessas representações. A ilha não é, para estes autores, um simples cenário, funcionando antes como um centro organizador das histórias contadas e um espaço de projeção de tensões pessoais, culturais e históricas. Este tratamento dos espaços insulares por parte dos dois autores do corpus assenta num imaginário coletivo, sempre presente em filigrana, mesmo quando são evocadas realidades concretas sobre as ilhas. Esta ideia remete para a metáfora da projeção – a ilha constitui a estrutura sobre a qual um imaginário é projetado. Assim, é a distância entre o objeto que projeta (o olhar do autor) e o espaço sobre o qual se projeta que permite a projeção. Sem negligenciar as diferenças entre os dois autores e os seus textos, identificam-se eixos de análise que estão na base das convergências entre os dois romances. A primeira parte da tese propõe uma reflexão sobre as modalidades pelas quais os autores introduzem nos seus relatos a temática de um imaginário das ilhas e das fontes a partir das quais autores, narradores e personagens concebem as ilhas. A memória familiar transmitida de geração em geração, bem como a busca identitária dos jovens protagonistas, estruturam ambos os relatos. A conceção da ilha depende, então, dos relatos ouvidos e dos documentos a que personagens e narradores têm acesso. Ambos os romances evocam igualmente obras literárias anteriores e mitos e lendas que funcionam, para os autores, como fontes a partir das quais é possível conceber o mundo e as ilhas. A segunda parte da tese interroga-se sobre as modalidades de representação das ilhas. Os três capítulos que compõem esta parte mostram como a representação da ilha é paradoxal e se inscreve num imaginário partilhado das ilhas. O espaço insular é concebido como ambivalente, oscilando entre o enclausuramento, a hostilidade, e o edénico e exótico, enquanto os contrastes entre os seus habitantes e os recém-chegados convidam a uma reflexão sobre a alteridade insular. Uma última dicotomia liga a ilha ao mundo, numa reflexão sobre as crises históricas e civilizacionais.
- Vladimir Nabokov : um problema de habitação (ou de habituação)? : aculturação e resistência no percurso para o romance americanoPublication . Ventura, Carlos Manuel Cravo; Sousa, Maria Leonor Ribeiro da Fonseca Calisto Machado; Alves, Teresa Ferreira de AlmeidaOs primeiros, e intimidantes, contactos que tive com a obra do escritor russo-americano Vladimir Nabokov ocorreram algo tardiamente (nos meus trinta e poucos anos) e deveram-se à liberalidade de um amigo dilecto, que certo dia resolveu oferecer-me dois ou três livros de entre os que Nabokov escrevera originalmente já em inglês. Se bem me recordo, comecei por ler o seu último romance publicado em vida, Look at the Harlequins!, a que se seguiram Transparent Things, Lolita e Pale Fire. Comecei, pois, praticamente pelo fim, o que no caso de Nabokov talvez não seja assim tão estranho: afinal, não abre ele a biografia literária de Gogol com um capítulo a que deu o título «His Death and His Youth»? Aqueles livros alimentaram conversas amenas durante as tardes de férias-de-Verão, conversas que, passado pouco tempo, se transformaram num desafio: por que não conceber um trabalho de maior fôlego sobre a obra de Nabokov, um autor tão discutido “lá fora” e que parecia, à época, ainda não ter merecido a atenção correspondente “cá dentro”? Havia, claro, o problema do corpus, que, além de vasto e manifestamente complexo, tinha uma parte dele nascido em russo, embora se encontrasse traduzido, ou por Nabokov ou sob sua apertada vigilância, em inglês. Para apaziguamento dos meus escrúpulos devidos à incapacidade de o ler em russo, descobri mais tarde que Nabokov considerava as traduções em inglês como as versões definitivas da sua obra russa, provavelmente (ou com certeza) por força das alterações, de pormenor mas para ele significativas, que achou por bem introduzir (licença que não deve entender-se como traição de tradutor — ou, no caso, mais de “supervisor de tradutor” —, desde que da sua própria obra se trate). Sopesado tudo, desde cedo me pareceu prudente concentrar a atenção nos romances originalmente escritos em inglês — e o romance é, assim o julgo, o género em que Nabokov atinge o ápice das suas faculdades criativas —, sem todavia descurar a indispensável contextualização na totalidade da obra. Das muitas interrogações que a leitura de Nabokov pode suscitar, uma se me foi impondo como possiblidade de trabalho, diria até, como necessidade de procura de uma resposta: Como consegue um escritor, já na maturidade e com obra de mérito reconhecido, fazer a travessia para um novo idioma literário, com as inevitáveis exigências de adaptação a outra realidade sócio-cultural, e, ainda por cima, alcançando uma notoriedade muito superior à que conquistara no seu idioma nativo? A esta pergunta sucederam-se outras suas complementares: Que resistências íntimas não terá ele tido de contrariar? Quanto terá permanecido do hábito de errância espiritual (e física) na Europa, adquirido durante os vinte e um anos que precederam a chegada a terras americanas? Que obstáculos teve Nabokov de ultrapassar para se afirmar entre os seus pares do país de adopção? Como o terão marcado os cerca de vinte anos em que viveu a experiência americana? Quanto de tudo isto se reflecte na obra ficcional produzida na América (e continuada na Suíça)? E que factores concorrem para que Nabokov nos deixe a impressão de que não conseguia estar sossegado num sítio? A necessidade de responder a estas perguntas determinou a estrutura do presente trabalho. Havia que tentar perceber o percurso de vida de Nabokov para o correlacionar com o literário — eis a matéria da primeira parte, que intitulei «A Abordagem Biográfica». Havia que enquadrar teoricamente o fenómeno da aculturação e tentar compreender como Nabokov enfrentou a transição para a realidade sócio-cultural dos Estados Unidos da América — eis a matéria da segunda parte, que intitulei «Questões de Aculturação». Finalmente, havia que apresentar uma proposta de leitura dos romances que contribuiram para que Nabokov conquistasse um lugar na literatura norte-americana, uma leitura que necessariamente se articulasse com as preocupações desenvolvidas nas duas primeiras partes do trabalho — eis a matéria da terceira parte, que intitulei «Os Romances Americanos», na qual Lolita ocupa, julgo que com inteiro merecimento, quase a totalidade do espaço. Quanto ao título e ao subtítulo do volume, Vladimir Nabokov: Um Problema de Habitação (ou de Habituação)? — Aculturação e Resistência no Percurso para o Romance Americano, a sua explicação encontra-se no último capítulo (que é também o epílogo desta história). [do Prólogo]
