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- Projections d’un imaginaire insulaire chez Jérôme Ferrari et Jean-Marie Gustave Le ClézioPublication . Araújo, Ana Sofia Cabral; Faria, Dominique Almeida Rosa de; Gherardi, Eugène F.-X.Esta tese propõe uma análise comparativa do tratamento das ilhas em dois romances franceses, La Quarantaine (1995) de Jean-Marie Gustave Le Clézio, e Le Sermon sur la chute de Rome (2013) de Jérôme Ferrari. Estuda o papel que os autores atribuem às ilhas – as ilhas Maurícia, Rodrigues e Île Plate no caso de Le Clézio, a Córsega no caso de Ferrari – na construção narrativa, nas representações que delas fazem, bem como nas fontes dessas representações. A ilha não é, para estes autores, um simples cenário, funcionando antes como um centro organizador das histórias contadas e um espaço de projeção de tensões pessoais, culturais e históricas. Este tratamento dos espaços insulares por parte dos dois autores do corpus assenta num imaginário coletivo, sempre presente em filigrana, mesmo quando são evocadas realidades concretas sobre as ilhas. Esta ideia remete para a metáfora da projeção – a ilha constitui a estrutura sobre a qual um imaginário é projetado. Assim, é a distância entre o objeto que projeta (o olhar do autor) e o espaço sobre o qual se projeta que permite a projeção. Sem negligenciar as diferenças entre os dois autores e os seus textos, identificam-se eixos de análise que estão na base das convergências entre os dois romances. A primeira parte da tese propõe uma reflexão sobre as modalidades pelas quais os autores introduzem nos seus relatos a temática de um imaginário das ilhas e das fontes a partir das quais autores, narradores e personagens concebem as ilhas. A memória familiar transmitida de geração em geração, bem como a busca identitária dos jovens protagonistas, estruturam ambos os relatos. A conceção da ilha depende, então, dos relatos ouvidos e dos documentos a que personagens e narradores têm acesso. Ambos os romances evocam igualmente obras literárias anteriores e mitos e lendas que funcionam, para os autores, como fontes a partir das quais é possível conceber o mundo e as ilhas. A segunda parte da tese interroga-se sobre as modalidades de representação das ilhas. Os três capítulos que compõem esta parte mostram como a representação da ilha é paradoxal e se inscreve num imaginário partilhado das ilhas. O espaço insular é concebido como ambivalente, oscilando entre o enclausuramento, a hostilidade, e o edénico e exótico, enquanto os contrastes entre os seus habitantes e os recém-chegados convidam a uma reflexão sobre a alteridade insular. Uma última dicotomia liga a ilha ao mundo, numa reflexão sobre as crises históricas e civilizacionais.
