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- O efeito da corrupção no risco dos bancosPublication . Cordeiro, André Luís dos Santos; Dutra, Tiago Mota; Teixeira, João Carlos Aguiar; Matos, Tiago Filipe AlmeidaA estabilidade financeira e o crescimento económico sustentável dependem, em grande parte, da estabilidade do sistema bancário. Contudo, existem diversos fatores que influenciam o risco bancário e que criam entraves ao bom desempenho das instituições bancárias, nomeadamente, a corrupção. A presente dissertação tem como objetivo aferir o efeito da corrupção no risco bancário, através da análise dos dados recolhidos de 437 instituições financeiras, distribuídas por 39 países, relativos ao período de 2014 a 2024, com recurso ao método System Generalized Method of Moments. O risco bancário foi mensurado através da variável, asset risk, que reflecte a volatilidade dos ativos dos bancos. Para avaliar o efeito da corrupção, recorreu-se à variável, Corruption Perceptions Index (CPI), utilizado como proxy da perceção da integridade e transparência institucional e ao Corruption Risk Assessment (CRA), que sinaliza a adoção de mecanismos formais de avaliação de riscos de corrupção. Neste estudo, incluíram-se ainda, variáveis microeconómicas (rentabilidade, alavancagem, dimensão, eficiência operacional e diversificação de ativos) e macroeconómicas (crescimento do PIB, inflação, nível das taxas de juro e inclinação da curva de rendimentos). Os resultados demonstram que o CPI exerce um efeito negativo e estatisticamente significativo sobre o risco bancário, comprovando-se que em países com maior nível de integridade e transparência, as instituições financeiras permanecem menos expostas ao risco. Relativamente ao CRA, este apresentou também um efeito negativo e significativo, sugerindo que a adoção de mecanismos formais de avaliação de riscos de corrupção por parte das entidades bancárias, reforça a estabilidade do setor. No que concerne às restantes variáveis, verificou-se que a rentabilidade apresentou uma relação positiva com o risco, enquanto a alavancagem, teve um efeito negativo, confirmando a importância da capitalização como fator de resiliência. Este estudo evidencia que o reforço da qualidade institucional é essencial para mitigar os efeitos da corrupção no risco dos bancos. Os resultados oferecem evidência empírica internacional sobre a relação entre corrupção e risco bancário, bem como para a formulação de políticas públicas orientadas para a resiliência do sistema financeiro.
