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- Phenotypic Plasticity of Pest and Biological Control Agents: Contrasting Mainland and Insular Coastal EcosystemsPublication . Calado, Hugo Renato Marques Garcia; Soares, António Onofre Costa Miranda; Borges, Paulo Alexandre Vieira; Heleno, Ruben HüttelAs ilhas têm, desde há muito, servido como laboratórios naturais para o estudo dos mecanismos que moldam a biodiversidade, as interações ecológicas e a evolução adaptativa. Esta tese explora de que forma o isolamento, a heterogeneidade ambiental e a estrutura trófica influenciam a organização, o funcionamento e o potencial adaptativo das comunidades de artrópodes, comparando ecossistemas de pastagens costeiras do Arquipélago dos Açores e de Portugal continental. Através de uma abordagem integradora que combina análises taxonómicas, funcionais e genéticas, este trabalho examina como a simplificação ecológica e a limitada diversidade de recursos moldam a dinâmica comunitária e a adaptabilidade das espécies em ambientes insulares. Na primeira parte do estudo, as comunidades de artrópodes foram amostradas de forma sistemática em pastagens costeiras de ambas as regiões. Aplicaram-se protocolos padronizados para garantir a comparabilidade dos dados, que foram estruturados de acordo com os padrões Darwin Core e disponibilizados publicamente através da plataforma GBIF. Estes conjuntos de dados constituíram a base para as análises de biodiversidade e abundância, que revelaram diferenças marcadas entre os dois sistemas. As comunidades continentais apresentaram maior riqueza específica, em consonância com uma maior heterogeneidade ambiental e diversidade de recursos, enquanto as comunidades insulares exibiram menor riqueza, mas uma compensação de abundância em algumas espécies, além de uma forte dominância de poucos taxa adaptáveis, particularmente dentro dos Coccinellidae. Estes resultados confirmam que o isolamento ecológico promove a simplificação comunitária e reduz a redundância funcional. As análises subsequentes centraram-se na estrutura trófica e nas interações funcionais entre joaninhas, formigas, afídeos e plantas hospedeiras. As redes continentais revelaram um maior número de ligações, ao passo que as redes insulares se caracterizaram por menos conexões e maior dependência de espécies dominantes. Esta simplificação sugere que os ecossistemas insulares, embora estáveis a curto prazo, poderão ser mais vulneráveis a perturbações e à perda de espécies devido à sua reduzida capacidade de amortecimento ecológico. Para avaliar o potencial adaptativo a nível populacional, foram realizados ensaios laboratoriais com Scymnus nubilus, uma espécie predadora-chave. Os indivíduos foram criados em condições controladas e alimentados com afídeos de diferente adequação nutricional. Os resultados revelaram uma clara plasticidade fenotípica — a capacidade de um único genótipo expressar fenótipos distintos sob diferentes condições ambientais — em características de desenvolvimento e reprodução, permitindo o ajustamento a diversos recursos alimentares. Contudo, estas respostas foram acompanhadas por compromissos evolutivos (trade-offs): indivíduos com melhor desempenho em presas ótimas demonstraram menor flexibilidade quando expostos a recursos alternativos. Estes resultados evidenciam a interação entre variabilidade genética e flexibilidade fenotípica como motores fundamentais da adaptação. No seu conjunto, as evidências demonstram que o isolamento ecológico e a filtragem ambiental moldam tanto a composição das comunidades como a sua capacidade adaptativa. A plasticidade fenotípica surge como um mecanismo compensatório que permite a persistência sob condições ecológicas restritas, mas que simultaneamente impõe constrangimentos evolutivos em sistemas simplificados. A integração das perspetivas ecológica, funcional e genética nesta tese contribui para uma compreensão mais profunda de como a insularidade influencia os padrões de biodiversidade e a resiliência, oferecendo valiosos contributos para os processos que regem a adaptação, a conservação e a estabilidade dos ecossistemas num mundo em mudança.
