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- A holistic approach to the conservation of the coastal Azorean endemic taxa Lotus azoricus and Azorina vidalii: Reproductive biology, population genetics and ecologyPublication . Rego, Rúben Miguel Correia; Moura, Mónica Maria Tavares de; Silva, Luís Filipe Dias e; Corral, Maria OlanguaA expansão antropogénica nas zonas costeiras, aliada às alterações climáticas e à ocorrência pontual de fenómenos naturais destrutivos, representa uma ameaça significativa para várias espécies endémicas insulares, que possuem áreas de distribuição muito reduzidas e limitada capacidade de evasão. Azorina vidalii (H.C. Watson) Feer (Campanulaceae) e Lotus azoricus P.W. Ball (Fabaceae) são duas espécies costeiras endémicas dos Açores atualmente ameaçadas, recentemente incluídas em projetos de conservação, como o LIFE VIDALIA, que contemplaram ações de reforço populacional. No entanto, subsistem lacunas consideráveis no conhecimento sobre estas espécies, com estudos existentes focados apenas em aspetos isolados da sua biologia. Este trabalho propõe uma abordagem holística que integra ecologia, genética populacional e biologia reprodutiva, com o objetivo de apoiar a conservação das espécies e avaliar os impactos genéticos dos reforços populacionais recentemente realizados. Azorina vidalii ocorre em todas as ilhas do arquipélago, enquanto L. azoricus tem uma distribuição mais restrita, ocorrendo apenas nas ilhas de Santa Maria, Pico e São Jorge. Foram amostradas populações de ambas as espécies nas nove ilhas, com recolha de dados morfológicos e moleculares, inventário florístico, e levantamento de variáveis ambientais, climáticas e de ameaças locais. Foram utilizados métodos diretos e indiretos para avaliar as estratégias reprodutivas de A. vidalii, incluindo o tipo de sistema de autoincompatibilidade e o sucesso reprodutivo. Para a análise genética de L. azoricus, empregaram-se técnicas clássicas de extração e amplificação de DNA, utilizando retrotransposões, um tipo de marcador molecular dominante. Os resultados indicam que a vegetação costeira onde ocorrem estas espécies é limitada pelo mar e por atividades humanas, como infraestruturas costeiras, agricultura, pastoreio, turismo, presença de espécies invasoras, herbivoria, erosão costeira e submersão marítima. A. vidalii apresenta um nicho ecológico mais amplo, enquanto L. azoricus prefere habitats elevados, com clima quente e seco — condições que ocorrem quase exclusivamente em Santa Maria, justificando a sua maior raridade. Foi detetada alguma mistura genética em L. azoricus, incluindo um efeito fundador artificial numa população reforçada pelo projeto LIFE VIDALIA. A diferenciação genética entre populações foi baixa, com exceção da população de São Lourenço (Santa Maria), onde foi mais acentuada. O fluxo genético foi elevado entre populações do grupo central, possivelmente devido a mecanismos naturais ou assistidos de dispersão. Verificou-se um aumento da diversidade genética nas populações reforçadas; no entanto, no caso da população da Calheta de Nesquim, onde se observou regeneração natural após remoção de invasoras, o reforço populacional revelou-se desnecessário. Foram identificadas populações com elevada riqueza alélica, que devem ser priorizadas em futuras ações de conservação. Azorina vidalii revelou variação morfológica floral associada à geografia insular, e a ocorrência das diferentes fases fenológicas mostrou-se dependente do clima. As flores apresentaram plasticidade na duração das fases sexuais, resultando numa dicogamia incompleta. Polinizações experimentais realizadas na população natural dos Mosteiros (ilha de São Miguel) revelaram uma estratégia reprodutiva mista, com ausência de autopolinização espontânea, fecundação dependente de polinizadores, autoincompatibilidade parcial e ocorrência de endogamia. Ambas as espécies foram classificadas como “ameaçadas” segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Conclui-se que a abordagem holística adotada constitui uma ferramenta metodológica valiosa, permitindo a formulação de recomendações concretas para uma conservação mais eficaz e informada destas duas espécies endémicas costeiras dos Açores.
