Percorrer por data de Publicação, começado por "2026-02-27"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Entre silêncios e outros gestos vocais: que lugar para o não-verbal no diálogo da comunidade de investigação filosófica?Publication . Teves, Ana Patrícia Câmara; Carvalho, Magda CostaA presente Dissertação surge da necessidade de expandir a compreensão do diálogo filosófico em comunidade de investigação, indo além das palavras proferidas para se considerar as pausas preenchidas por sons, como “humm”, “hmm”, “mm” e as pausas não preenchidas acusticamente – os silêncios. Considera-se que o diálogo filosófico não se reduz à dimensão discursiva baseada na linguagem verbal, admitindo-se a existência de uma multiplicidade de formas de expressão que acolhem o não verbal como parte da sua dinâmica. Esta investigação partiu de um simples som – “hmm”, proferido por uma criança durante uma sessão de diálogo filosófico em comunidade de investigação e que deu origem à pergunta que orienta o nosso trabalho: será que os sons e os silêncios podem, nalguns momentos, fazer as vezes das palavras? Numa tentativa de explorar possíveis caminhos para essa questão sobre o lugar do não-verbal no diálogo da comunidade de investigação filosófica, estruturou-se a investigação em 3 linhas principais. A primeira parte do conceito de comunidade de investigação filosófica, explorando o diálogo como um espaço e um lugar de encontro e construção coletiva do pensamento, aberto a uma multiplicidade de formas de expressão. Defendemos, numa segunda linha de investigação, a escuta atenta como a disposição para habitar esse lugar. Além disso, considera-se a escuta, como uma atitude ética e relacional, uma condição fundadora do diálogo em comunidade de investigação filosófica, tornando possível acolher não só o que se diz, mas o que se deixa ouvir mesmo quando não há palavras – gestos vocais (sons) e silêncios. Por isso, para explorar o que nos permite navegar nas camadas sonoras e silenciosas do diálogo, fomos interpeladas pelo conceito de voz enquanto acontecimento relacional e sensível — mas o que é, afinal, esta voz que escapa à mera função da fala e nos convoca a escutar de outro modo? Assim, a terceira linha de investigação desdobra-se na análise de 3 conceitos: voz, gestos vocais e silêncios. A voz também se faz de pausas, de balbucios, murmúrios e de silêncios que falam. A investigação foi pensada com os textos e os autores, mas também com as vozes das crianças. Por isso mesmo, reservamos um capítulo para escutar de perto os seus diálogos — não apenas o que dizem, mas como dizem, como hesitam, como se interrompem ou se deixam atravessar pelo silêncio na tentativa de compreender como a filosofia se dá a ouvir na infância.
