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- Investigating plastic ingestion and entanglement within marine vertebrates in the NE Atlantic to inform policyPublication . Rodríguez, Yasmina; Pham, Christopher Kim; Borges, Javier Hernández; Juliano, Maria Manuela FragaO plástico marinho tornou-se uma preocupação ambiental crítica, figurando entre os desafios humanos mais prementes do século XXI. No entanto, os esforços atuais para mitigar a poluição por plásticos continuam a ser insuficientes quando comparados com o aumento global previsto dos resíduos de plástico. Apesar da crescente consciencialização e das negociações políticas internacionais em curso, os plásticos continuarão a ameaçar seriamente os oceanos e a biodiversidade em todo o mundo. Os vertebrados marinhos, já sujeitos a numerosos fatores de stress ambiental, são particularmente vulneráveis à contaminação por plásticos e podem servir de indicadores para monitorizar vários aspetos desta ameaça. Como tal, o objetivo geral desta tese foi colmatar as lacunas na nossa compreensão das diferentes formas como os vertebrados pelágicos interagem com plásticos, fornecendo informações para apoiar uma vasta gama de políticas. A primeira parte da tese centrou-se numa espécie-chave de ave marinha, o cagarro (Calonectris borealis), e no seu potencial como bioindicador para monitorizar plásticos flutuantes no Atlântico Nordeste. Com base numa série temporal de oito anos, abrangendo 1,238 carcaças recolhidas nos Açores e nas Ilhas Canárias, verificámos que a contaminação por plástico era generalizada nesta espécie. A análise revelou um aumento temporal significativo no número de itens ingeridos nos juvenis, bem como diferenças acentuadas entre as duas regiões de reprodução, não só na quantidade de plástico, mas também nas diferentes morfologias ingeridas. Estes resultados, combinados com as caraterísticas ecológicas da espécie e a disponibilidade de amostras robustas, indicam que o cagarro é um exemplo de bioindicador fiável. Uma análise mais pormenorizada dos adultos de cagarro demonstrou quantitativamente que os progenitores reiniciam a sua carga de plástico, eliminando > 80% dos objetos ingeridos no final da época de reprodução. Este facto reforça a evidência de transferência intergeneracional de plásticos dos adultos para as suas crias e, mais importante ainda, sublinha o valor dos juvenis como bioindicadores mais fiáveis do que os adultos. Consequentemente, os estudos futuros devem ter em conta este facto, uma vez que a inclusão de reprodutores durante ou após a época de alimentação das crias pode levar a subestimações da ingestão de plástico e obscurecer as tendências temporais. Traduzindo os principais resultados em aplicações políticas concretas, ambos os estudos forneceram diretrizes para a implementação dos juvenis como bioindicador comum ao abrigo da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha e da Comissão OSPAR, incluindo um valor-limite baseado em dados. Os arquipélagos oceânicos da UE e da Macaronésia podem servir como observatórios de lixo marinho, com os cagarros a sinalizarem diferenças temporais e espaciais na contaminação ambiental por plásticos. A segunda parte da tese centrou-se na investigação do processo de emaranhamento de vertebrados em detritos de plástico, fontes e potenciais causas. Em primeiro lugar, identificámos um comportamento dos cetáceos anteriormente pouco descrito. Com base em observações oportunistas, fornecemos fortes indícios de que estes animais se envolvem em comportamentos lúdicos com lixo plástico em todo o mundo. Foram observadas espécies de odontocetos que transportam ou atiram ativamente plásticos de um único uso, utilizando a cabeça e/ou as barbatanas, e em várias zonas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, bem como no Mediterrâneo e no Mar Vermelho. As nossas observações sugerem que estes comportamentos podem servir de mecanismo de ingestão e emaranhamento de plástico. Em segundo lugar, embora os artigos associados à pesca representem uma parte significativa dos emaranhamentos de vertebrados marinhos, a maioria dos estudos não consegue distinguir a origem desses emaranhamentos. Estes podem ocorrer independentemente da arte de pesca estar operacional ou abandonada, perdida ou descartada (ALDFG) no meio marinho. Para fazer face a esta incerteza, desenvolvemos o índice ‘Entanglement Source Assessment’ (ENSA). Através da análise de um conjunto de critérios, o ENSA melhora quantitativamente a consistência, a transparência e a exatidão dos relatórios, o que é essencial devido às diferentes medidas de mitigação e remediação necessárias para combater o emaranhamento causado pela pesca operacional ou pelo lixo marinho. Finalmente, os emaranhamentos em lixo marinho, incluindo ALDFG e outros plásticos, foram analisados em áreas de oceano aberto no Atlântico NE, cobrindo a ZEE dos Açores até Portugal continental. Esta ameaça é reconhecida como um impacto grave do plástico oceânico na megafauna marinha, mas a sua taxa de ocorrência permanece mal descrita devido a desafios na recolha de informação. Como resultado, foram reunidos dados de várias partes interessadas num conjunto abrangente de dados sobre emaranhamento em detritos, incluindo 17 anos de observações. No âmbito desta tese, foi possível documentar dez espécies afetadas, incluindo tubarões, tartarugas marinhas, cetáceos e aves marinhas. Alguns dos emaranhamentos causaram impactos significativos ao infligir lesões externas ou constrição de partes críticas do corpo, levando à perda de membros, deformações corporais ou morte. Globalmente, esta tese fornece informações valiosas sobre a presença de plásticos em zonas de oceano aberto, realçando o complexo desafio ambiental colocado por esta pressão humana e os seus impactos significativos nos vertebrados marinhos. A investigação aqui realizada apresenta novas ferramentas para o rastreio de plásticos flutuantes em ambientes marinhos, desde microplásticos até macroplásticos, e abrangendo várias tipologias. Estes avanços estabelecem uma base científica sólida para a monitorização, dotando os decisores dos recursos necessários para implementar e avaliar a eficácia das suas medidas. Esperamos sinceramente que o trabalho realizado contribua para o desenvolvimento de políticas baseadas em provas, e que promova uma cooperação mais alargada para salvaguardar os ecossistemas marinhos e a biodiversidade.
