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- Posicionamento genético do gado bravo da ilha Terceira em relação à Raça Brava de LidePublication . Correia, Pedro Bettencourt Cardoso; Cañón Ferreras, Javier; Silva, Joaquim Fernando Moreira daA raça Brava de Lide apresenta uma estrutura, muito particular, dividida em várias estirpes, designadas por encastes. Na ilha Terceira, as condições do meio e a selecção pelos ganadeiros, associadas à cultura taurina da tourada à corda, promoveram o desenvolvimento de uma população bovina designada por Brava dos Açores. Este estudo teve por objectivo conhecer os encastes do toiro de lide que podem ter influenciado a formação da estirpe Brava dos Açores, através da análise de marcadores microssatélites autossómicos. Para isso, foram seleccionadas três ganadarias da estirpe Brava dos Açores, nomeadamente a ganadaria Rego Botelho, José Albino Fernandes e Eliseu Gomes, num total de 90 animais (30 por ganadaria); uma ganadaria do continente Português, ganadaria Irmão Dias num total de 30 animais e 42 ganadarias inscritas na Unión de Criadores de Toros de Lidia, oriundas dos mais diversos encastes espanhóis, à excepção da Casta Navarra, num total de 1191 animais. A todos os animais seleccionados, foi-lhes retirada uma amostra de sangue periférico, o qual foi directamente enviado para análise no Laboratório de Genética da FMV da Universidade Complutense de Madrid. Os resultados obtidos das amplificações desses marcadores moleculares foram analisados no programa STRUCTURE para vários números de populações ancestrais (valores de K). Para K=2 os animais da população Brava dos Açores partilharam semelhanças com um grupo ancestral constituído por ganadarias de origem portuguesa e espanhola (Casta Portuguesa, Cabrera, Gallardo, Vistahermosa – Picavea de Lesaca e cruzamentos com Casta Vasquenha) (75,9% ± 20,1%). No entanto, em K=3, as ganadarias oriundas da Casta Vistahermosa – Picavea de Lesaca, constituíram um novo grupo ancestral. O aumento dos valores de K para 8 fez com que a maioria dos indivíduos das ganadarias da população Brava dos Açores partilhasse semelhanças elevadas com a ganadaria espanhola de Concha y Sierra, originária a partir da Casta Vasquenha (84,5% ± 14,3%). Alguns animais das ganadarias açorianas mostraram semelhanças com encastes provenientes das castas Portuguesa, Cabrera, Vasquenha e Vistahermosa que variaram entre 11,6% e 42,5%. O aumento de K para 12 mostrou resultados semelhantes aos obtidos com oito populações ancestrais, mas isolou as ganadarias açorianas das restantes, tendo a ganadaria Irmãos Dias continuado agrupada à ganadaria espanhola Miura, separando-se desta em K=25. Para 40 populações ancestrais consideradas, a ganadaria açoriana Rego Botelho formou um grupo separado das ganadarias José Albino Fernandes e Eliseu Gomes, possivelmente pela maior diversidade de origens que aporta. Contudo, as ganadarias açorianas voltaram a ter resultados semelhantes aos de K=8, 12 e 25. A maioria dos animais destas populações partilhou mais semelhanças, formando um grupo diferenciado e alguns animais compartiram porções do genoma semelhantes aos animais de ganadarias oriundas das castas Vasquenha (encastes Concha y Sierra e Veragua), Cabrera (ganadaria Guillermo Acosta Otero) e Vistahermosa (encaste Gamero Cívico, Atanasio Fernández, Murube, Saltillo e Domecq) com valores entre os 11,2% e os 35%. Este trabalho permite claramente concluir que os animais das ganadarias de população Brava dos Açores têm influência das castas Portuguesa, Vasquenha, Cabrera e Vistahermosa.
