Percorrer por autor "Silva, Rui Filipe Fagundes"
A mostrar 1 - 3 de 3
Resultados por página
Opções de ordenação
- Desenvolvimento de um protótipo computacional para análise e cartografia automática da suscetibilidade a movimentos de vertentePublication . Silva, Rui Filipe Fagundes; Marques, Rui Tiago Fernandes; Gaspar, João Luís Roque BaptistaA utilização de linguagens de programação para a criação e automatização de processos torna possível analisar e avaliar a sensibilidade de algoritmos relativamente à introdução de diferentes dados de entrada e/ou à alteração de parâmetros de modelação. Tais processos tendem a criar uma quantidade muito elevada de resultados, que dificilmente poderiam ser produzidos e analisados através de métodos mais tradicionais. Neste sentido, foi criado e testado um protótipo computacional, desenvolvido em linguagem MATLAB, denominado por ALSA-Tools (Automatic Landslide Susceptibility Analysis - Tools), que permitiu a análise e produção de cartografia automática da suscetibilidade a movimentos de vertente, baseado no método estatístico bivariado Valor Informativo. Face à automatização de processos e à possibilidade de criar pequenas alterações ao nível da modelação, foi possível compreender e quantificar os efeitos e a variabilidade dos resultados da análise da suscetibilidade promovidos pela: i) discriminação (ou não) da tipologia de movimentos de vertente; ii) utilização de diferentes combinações de fatores de predisposição; e iii) incapacidade do território produzir condições únicas de terreno a partir de determinado número de fatores de predisposição adicionados aos modelos, e consequente incapacidade de melhorar a qualidade do ajuste dos modelos aos dados de entrada. Para testar o protótipo computacional foi selecionada uma área que corresponde, grosso modo, à freguesia do Lajedo, na ilha das Flores, arquipélago dos Açores, onde recorrentemente se têm registado fenómenos danosos de instabilidade geomorfológica. Para a análise da suscetibilidade a movimentos de vertente foram identificadas e cartografadas, com base em trabalhos de campo e de gabinete, 474 áreas de rutura de movimentos de vertente, das quais 171 correspondem a desabamentos e 303 a deslizamentos, e considerados 12 fatores de predisposição. [...].
- O risco de movimentos de vertente na freguesia do Lajedo (ilha das Flores, Açores)Publication . Silva, Rui Filipe Fagundes; Marques, Rui T.A avaliação da suscetibilidade a movimentos de vertente assume grande importância no ordenamento do território, podendo a correta utilização dos resultados evitar a ocupação de áreas com suscetibilidade elevada e mitigar o risco, através da definição e implementação de políticas públicas que limitem a construção e/ou exijam a implementação de medidas preventivas. A avaliação da suscetibilidade baseia-se no princípio de que os fatores que condicionaram a ocorrência de movimentos de vertente no passado, serão igualmente responsáveis pela sua ocorrência no futuro. O estudo apresentado incide sobre uma área de 7,73 km² que corresponde, grosso modo, à freguesia do Lajedo (ilha das Flores) onde residem 93 pessoas. Este local é uma das áreas do arquipélago dos Açores onde se verifica uma predisposição elevada para a ocorrência de movimentos de vertente, que no passado causaram danos significativos em habitações, estradas e outras infraestruturas. […].
- Spatio-temporal analysis of rainfall and its effect for landslide triggering in São Miguel Island (Azores Archipelago)Publication . Silva, Rui Filipe Fagundes; Marques, Rui Tiago Fernandes; Zêzere, José Luís Gonçalves Moreira da SilvaOs movimentos de vertente representam o perigo natural mais frequente no arquipélago dos Açores, devido à sua origem e geomorfologia vulcânicas, à localização geográfica e ao enquadramento climático, caracterizado por elevados níveis de precipitação. Neste contexto, a compreensão dos fatores que controlam a ocorrência destes fenómenos e a sua evolução temporal constitui um elemento fundamental para a avaliação e mitigação do risco associado. Este estudo baseia-se na base de dados documental NATHA (Natural Hazards in Azores), construída a partir da análise sistemática de fontes históricas e de arquivos de imprensa regional. Através desta base de dados, foi possível identificar e caracterizar os eventos de instabilidade geomorfológica ocorridos na ilha de São Miguel entre 1900 e 2020. Foram catalogados 236 eventos, responsáveis por 82 vítimas mortais, 41 feridos, 305 desalojados e pela destruição total ou parcial de 66 edifícios. A análise da distribuição espacial revelou diferenças significativas entre os municípios da ilha, sendo o município da Povoação mais afetado, registando cerca de 59% do total de vítimas mortais. A precipitação foi responsável por cerca de 70% dos eventos catalogados, que ocorrem na sua maioria durante os meses mais húmidos do ano, entre novembro e março. A análise temporal revelou uma maior concentração de eventos após 1996, associada a alterações no regime de precipitação, demonstrando, pela primeira vez nos Açores, a influência das alterações climáticas na ocorrência de movimentos de vertente. O estudo dos padrões e tendências da precipitação na ilha de São Miguel recorreu à análise de clustering hierárquico e a testes não-paramétricos de tendência. Foram identificados quatro clusters de precipitação homogéneos, que confirmam a existência de um forte efeito orográfico, em que a altitude desempenha o papel de principal regulador da precipitação. Foi observada uma forte correlação positiva entre a altitude e a precipitação, com um aumento de aproximadamente 180 mm de Precipitação Média Anual (PMA) por cada 100 m de altitude. A análise temporal mostrou reduções significativas na precipitação anual e sazonal, embora a frequência de dias com precipitação mais intensa tenha aumentado. Esta redução é particularmente crítica durante o outono e o inverno, com quebras máximas na precipitação entre 41% e 55%. O estudo sugere que a fase predominantemente positiva da Oscilação do Atlântico Norte (NAO) no período mais recente contribuiu, pelo menos em parte, para esta tendência de decréscimo da precipitação. O estudo propõe uma abordagem inovadora para o desenvolvimento de limiares empíricos combinados de precipitação, integrando um limiar preparatório, relacionado com a saturação prévia do solo, e um limiar de desencadeamento, associado à precipitação no dia do evento. A validação demonstrou que a utilização deste limiar combinado apresenta um desempenho superior ao limiar preparatório isolado, nomeadamente na redução de falsos positivos e na melhoria da precisão preditiva. As áreas com materiais vulcânicos mais friáveis e "jovens", como os vulcões das Sete Cidades e das Furnas, são mais suscetíveis, evidenciando limiares de precipitação normalizados mais baixos. Os valores mais elevados das probabilidades mensais de excedência dos limiares, estão associados aos meses de dezembro e janeiro. Verifica-se, igualmente, que tanto os eventos de precipitação intensa de curta duração como os de longa duração estão associados a períodos de retorno inferiores a cinco anos. Os resultados fornecem uma caraterização integrada, detalhada e inovadora do perigo de movimentos de vertente e da sua relação com a precipitação na ilha de São Miguel, estabelecendo uma base de conhecimento robusta para a otimização de estratégias de prevenção e gestão do risco no contexto das ameaças geoclimáticas atuais e futuras.
