Percorrer por autor "Herrera, Andrea"
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- "Image-Based Identification of Blue Sharks in the Mid-Atlantic: Evaluating a Standardized Methodology for Long-Term Monitoring"Herrera, AndreaO tubarão-azul (Prionace glauca), um predador pelágico-oceânico amplamente distribuído, enfrenta forte exploração apesar da sua importância ecológica, tornando urgente a sua boa gestão e conservação. O turismo de mergulho com tubarões-azuis está em ascensão, adquirindo crescente relevância social e económica nos Açores, o que possibilita uma plataforma informal e extensa de recolha de dados. Utilizando estes dados oportunísticos recolhidos por mergulhadores e cientistas locais, este estudo explora se uma metodologia padronizado e não-invasivo de foto-identificação (photo-ID) pode identificar de forma fiável indivíduos de tubarão ao longo do tempo, tanto dentro como entre anos. Foram analisados dados de 2019–2021 e 2024, focados na Pedra de Sousa, no Monte Submarino Condor e no Banco Princesa Alice, recorrendo a imagens e vídeos oportunísticos recolhidos por investigadores e mergulhadores locais durante expedições científicas e de mergulho com tubarões. As imagens selecionadas foram analisadas com base em três métricas de identificação: (i) morfologia da margem da barbatana dorsal, (ii) padrão dos poros das ampolas de Lorenzini e (iii) características complementares como marcas de mordidas, marcas de artes de pesca ou outros traços visíveis. Além disso, o comprimento total dos tubarões foi medido através de fotogrametria a laser sempre que possível. A metodologia desenvolvida neste estudo permitiu identificar 34 indivíduos únicos, tendo 4 deles sido reavistados em anos diferentes. O estudo sugeriu que a barbatana dorsal é o traço mais fiável a longo prazo entre as três métricas analisadas, sobretudo quando características adicionais estão disponíveis para confirmar a identidade do tubarão ao longo do tempo. O mapeamento manual dos poros das ampolas de Lorenzini revelou-se a métrica menos eficaz para ser aplicada ao material disponível, devido a problemas de visibilidade, elevado consumo de tempo e baixa qualidade das imagens. No entanto, esta característica pode ser de interesse se forem utilizados softwares avançados e sistemas de aprendizagem automática (IA) para o seu mapeamento. O facilmente reconhecível “Scarface” foi usado para validar a metodologia. A metodologia desenvolvida foi útil para identificar mais 4 indivíduos (todos juvenis ou machos adultos) que regressaram à área de estudo ao longo dos anos. Estes reavistamentos sugerem uma potencial fidelidade ao local, consistente com o conhecimento prévio sobre padrões sazonais de segregação sexual na região. A investigação sublinha o valor da colaboração intersectorial — entre investigadores, operadores turísticos e cientistas cidadãos — para maximizar coletivamente os esforços de investigação, reconhecendo ao mesmo tempo os desafios de utilizar dados oportunísticos. Estas limitações dificultam a identificação de tubarões individuais e devem-se principalmente à baixa qualidade das imagens em alguns registos, bem como à ausência de métricas de referência visíveis em determinados fotogramas. Tal deve-se frequentemente à presença simultânea de um elevado número de tubarões ou a posicionamentos subótimos da câmara em relação ao animal. Foram apresentadas recomendações para melhorar a qualidade dos dados disponíveis para esforços futuros e monitorização a longo prazo, resumidas no documento “Boas Práticas de Recolha de Dados”. Em última análise, o estudo demonstra que um método de foto-ID de baixo custo, replicável e baseado principalmente na morfologia única da barbatana dorsal, mas complementado com outros traços, pode ser utilizado de forma eficaz para identificar tubarões-azuis ao longo do tempo. A integração de outras tecnologias na monitorização do tubarão-azul pode automatizar o processo e melhorar a qualidade dos resultados. Este estudo pode ser usado como ferramenta para o avanço da investigação sobre fidelidade ao local, movimentos animais, residência, estrutura e abundância populacional, potenciais áreas de maternidade, bem como os possíveis impactos de uma indústria de mergulho com tubarões em crescimento.
