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Três temas da escultura de Canto da Maia

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Resumo(s)

[...] Antecipando-se ao começo das hostilidades de 1939, Canto da Maia decidiu abandonar Paris em fins de 38, acolhendo-se a Lisboa, já casado em segundas núpcias com Vera Wladmirovna, filha de um antigo médico da Duma de S. Petersburgo, que três anos antes conhecera. A sua residência e oficina serão agora em Campolide, por preferência de moradias situadas em pontos altos, onde uma janela larguíssima deixava ver a cidade abaixo estendida, até se confundir com nesgas de horizonte. É o ciclo português que inicia com permanência, quase de começo marcado por tragédia pessoal. Júlio, o único filho varão, adolescente de 20 anos, desaparece em 1940 afogado no mar da baía de Cascais, quando velejava em barco de recreio que o pai lhe oferecera. Matilde Biederborst, a mãe, em carta à ex-cunhada Beatriz do Canto, irmã mais nova e única do escultor, não deixará de manifestar a dor por “mon enfant”, de mistura com censuras acrimoniosas de mulher substituída. O funesto acontecimento, que ainda no fim da vida emocionava o artista, tem tradução plástica em composições de diferente estrutura e formulação estética. O tema da morte, que Canto da Maia abordara em Paris, ocasionalmente, em cena de crucificação de Cristo, de que duas versões reduzidas integraram a exposição de 1976, que realizei no Museu Carlos Machado, entrará agora no repertório do período nacional, em sensíveis representações do drama vivido e títulos diferentes, como distintas as concepções. O “Filho Morto” teve realização em baixo-relevo de pequenas dimensões, modelado na argila cozida, material preferido desde sempre pelo artista, cuja data da matriz se não conhece, de entre as várias réplicas executadas e dispersas, podendo admitir-se, todavia, de 1941 ou já de 42, com assinatura “Canto da Maya”. [...]

Descrição

Palavras-chave

Arte Portuguesa Escultura Açoriana Canto da Maia

Contexto Educativo

Citação

"ARQUIPÉLAGO. História". ISSN 0871-7664. 2ª série, vol. 8 (2004): 171-203

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