Percorrer por autor "Costa, Ricardo Pires da"
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- Spider vertical stratification in addressing colonization and ecology of Macaronesia islands forest communitiesPublication . Costa, Ricardo Pires da; Borges, Paulo Alexandre Vieira; Cardoso, Pedro Miguel Bondoso; Rigal, FrançoisAs ilhas oceânicas são laboratórios naturais, onde os cientistas têm vindo a testar várias hipóteses sobre biodiversidade, ecologia e evolução. Estes sistemas são conhecidos por serem desproporcionalmente ricos em biodiversidade endémica que não existe em mais nenhum lugar. O dinamismo natural destes arquipélagos aquando a sua formação e desenvolvimento e o seu isolamento conduz à formação de ecossistemas únicos, muitas vezes muito distintos dos observados nos continentes. No entanto, estas mesmas características tornam as suas comunidades nativas altamente afetadas pelas atividades humanas, pelas alterações climáticas e pela propagação de espécies introduzidas direta ou indiretamente pelo ser humano. As florestas húmidas nativas dos arquipélagos da Macaronésia, que se podem encontrar nos Açores, Madeira e Ilhas Canárias são um bom exemplo de um desses sistemas. Nas últimas duas décadas, as suas comunidades de artrópodes endémicos (especialmente as aranhas) têm sido utilizadas como organismos modelo para estudar muitos aspetos da macroecologia, evolução e conservação das espécies insulares que se podem encontrar nestes sistemas. Estes organismos são abundantes e diversos entre os muitos microhabitats que se encontram ao longo do gradiente vertical das florestas nativas, o qual é conhecido por afetar grande parte da sua ecologia. Esta tese tem como objetivos: i) investigar a diferença na verticalidade entre aranhas adultas e juvenis; ii) compreender a relação entre o estrato preferido das linhagens endémicas de aranhas e a colonização destes sistemas insulares; iii) compreender como os fatores regionais e locais podem afetar a diversidade local das aranhas em diferentes microhabitats ao longo do gradiente vertical; e, finalmente, iv) como as espécies de diferentes origens de colonização (endémicas, nativas não endémicas e introduzidas) diferem nos seus padrões verticais entre os arquipélagos da Macaronésia. Este trabalho demonstrou que a verticalidade média das aranhas insulares é relevante em termos de dispersão a grandes distâncias, num contexto de colonização insular por taxas mais arborícolas, na dispersão entre ilhas por espécies nativas não endémicas que tendem a ser arborícolas, e na tendência de grupos conhecidos por serem piores dispersores se deslocarem para microhabitats na copa das árvores, especialmente quando jovens. Apesar deste filtro de colonização favorecer os habitantes arbóreos na chegada às ilhas, os arquipélagos ainda diferiam muito nas suas comunidades de aranhas. As comunidades de aranhas dos Açores parecem as mais pobres na sua diversidade taxonómica, filogenética e funcional em comparação com os demais arquipélagos, embora os padrões pareçam ser dependentes do estrato considerado. Isto pode ser devido ao isolamento e idade dos Açores, assim como pela sua história recente de colonização humana. Devido a este último ponto as florestas nativas dos Açores são as mais ricas em aranhas introduzidas, que ocorrem em todo o gradiente vertical estudado. Este estudo destaca a importância de considerar o micro-habitat ao longo do gradiente vertical das florestas das aranhas insulares quando tentamos compreender diferentes aspetos da sua diversidade, ecologia e evolução. Este mostra que a posição das aranhas no gradiente vertical parece depender da sua ecologia, tais como a sua propensão para a dispersão por dispersão por fios de seda (‘ballooning’), as suas estratégias de caça, a fase de vida e também se são nativas das ilhas estudadas ou não. O presente trabalho propõe então que esta dimensão vertical seja tida em conta quando os estudos tentam compreender os padrões macro ecológicos encontrados nas comunidades de aranhas. Além disso, este estudo mostra a importância da aplicação de protocolos padronizados na recolha de dados de biodiversidade, onde é adotada uma abordagem em várias camadas para coletar diferentes tipos de informações sobre a diversidade da comunidade.
