Browsing by Author "Costa, Ana Cristina Dias da Rocha e"
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- O ridículo racional: (des)construções com a infânciaPublication . Costa, Ana Cristina Dias da Rocha e; Silva, Maria Madalena M. C. Teixeira da; Silva, Rui Jorge Sampaio; Carvalho, Magda CostaO presente estudo procura enquadrar a literatura como promotora de pensamento filosófico no âmbito da comunidade de investigação, sobretudo a partir do que consideramos serem figuras literárias disruptivas de racionalidade. Assim, começamos por debruçar-nos sobre o poder da linguagem na promoção do pensamento e sobre o seu papel na reconstrução de conceitos. A este propósito, analisamos o próprio conceito de literatura infantil. Prosseguimos procurando enquadrar a relação entre filosofia e literatura, enquanto potenciadoras desse pensamento reconstrutor. Abordam-se de seguida as características da literatura que questiona as coerências lógicas do mundo e, neste sentido, que recria conceitos recorrendo a figuras disruptivas de racionalidade, nomeadamente ao nonsense. A dada altura da nossa investigação no âmbito do trabalho filosófico na/da/pela infância, surgiu a necessidade de perspetivar uma capacidade de pensar, problematizar e questionar o mundo, e de o (re)construir, que se pode atribuir com mais frequência às crianças. E, neste sentido, colocam-se várias questões: será a racionalidade um construto idealizado, interdependente daquilo que é considerado como disparate, ridículo e absurdo? Será a racionalidade um conceito passível de ser (des)construído pela infância? Neste âmbito, propomo-nos aprofundar as noções de “disparate”, “ridículo” e “absurdo” ao tentarmos perceber - se podem existir e quais são - as implicações de brincar com as palavras no pensamento filosófico na/da/pela infância. Pelo menos desde a década de 70 do século XX vários autores defendem que as crianças são capazes de elaborar pensamentos filosóficos complexos, que têm o direito de fazer filosofia e, até, de contribuir com as suas ideias para a reconstrução da própria história da filosofia. Assim, o acima mencionado constitui uma provocação do pensamento e um questionamento na comunidade de investigação filosófica a partir da linguagem utilizada e do poder atribuído às palavras. Estas são entendidas como portais para ideias inusitadas e interrogações “pro-vocadoras”, colocando em causa alguns conceitos e questionando os pressupostos em que comummente assentam. Neste contexto, tentamos situar as figuras de desrazão no panorama da literatura infantil portuguesa, enquanto possíveis facilitadoras do pensamento filosófico em comunidade de investigação filosófica, através da análise de duas obras que recorrem a figuras literárias disruptivas de racionalidade: O Brincador, de Álvaro Magalhães, e Posso falar-te em verso?, de António Torrado.
