Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.3/398
Título: A passagem de coolies por S. Tomé e Príncipe
Autor: Nascimento, Augusto
Palavras-chave: Colonização Portuguesa
Emigração Chinesa
História de São Tomé e Príncipe (século XIX)
Data: 2004
Editora: Universidade dos Açores
Citação: "ARQUIPÉLAGO. História". ISSN 0871-7664. 2ª série, vol. 8 (2004): 77-111
Relatório da Série N.º: História. 2ª série;vol. 8
Resumo: A faceta mais visível da recolonização do arquipélago de S. Tomé e Príncipe em Oitocentos foi, porventura, a construção das roças – nome local das plantações –, um processo sugerido pela crença na superioridade técnica e económica da agricultura europeia e, sobretudo, impulsionado por condições políticas propícias ao estabelecimento de plantações baseadas no recurso a mão-de-obra africana barateada. Com efeito, as condições políticas inerentes à arquitectura colonial induziam à equação da necessidade de mobilização de apreciável volume de força de trabalho socialmente disjunta do grupo dos proprietários e, em S. Tomé e Príncipe, dos próprios nativos, alguns deles igualmente proprietários e empregadores de mão-de-obra importada. A diferenciação social dos nativos constituía, de resto, um empecilho à sua sujeição a ritmos laborais comuns nas roças erguidas ao longo de Oitocentos. Aquele requisito básico das plantações pareceu posto em causa pelo processo abolicionista que, ao tempo, foi atravessando o mundo colonial. Contudo, em S. Tomé e Príncipe, após a crise braçal, derivada da emancipação dos libertos em 1875, e a contratação por alguns anos de africanos de territórios do golfo da Guiné, os roceiros voltaram-se, de novo, para Angola, donde, desde a década de 1860, tinham chegado braços para as culturas do café e do cacau em clara expansão desde meados de Oitocentos. Resgataram-se, novamente, indivíduos no hinterland, por vezes decerto para lá das actuais fronteiras de Angola. Esses sujeitos eram depois exportados através dos portos desta província para S. Tomé e Príncipe. Angola ou, dito de outro modo, o sertão africano tornou-se uma fonte fiável de abastecimento de mão-de-obra ao longo da década de 1880. A expansão das roças e a prosperidade do cacau, que sucedera ao café tornado menos rendoso, mormente devido à concorrência brasileira, requeriam cada vez maiores contingentes de mão-de-obra sobre a qual os roceiros pretendiam deter um arbítrio tão lato quanto possível e, dessa forma, modular as relações laborais. Ou seja, mesmo tendo de lutar com alguma escassez no tocante a braços, os roceiros preferiam apostar na importação dos designados angolas, sobre os quais lograriam construir um grande ascendente, a procurar outras soluções económicas e sociais. [...]
URI: http://hdl.handle.net/10400.3/398
ISSN: 0871-7664
Aparece nas colecções:ARQ - Hist2s - Vol 08 (2004)

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