Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.3/1467
Título: Introdução a Jonh Locke
Autor: Amaral, Carlos Eduardo Pacheco
Palavras-chave: John Locke (1632-1704)
Filosofia Política
Data: 2007
Editora: Fundação Calouste Gulbenkian
Citação: «Introdução» a John Locke, "Segundo Tratado do Governo : ensaio sobre a verdadeira origem, alcance e finalidade do governo civil", Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2007, pp. 5-24.
Resumo: De entre as preocupações a que a filosofia política procura dar resposta, duas há que sobressaem das demais. Por um lado, compreender e explorar as opções que adoptamos em matéria de organização social e política, submetendo-as a escrutínio e ao crivo de uma avaliação crítica e racional. Enquanto ramo do saber prático, ela disponibiliza-nos instrumentos através dos quais nos podemos dotar das condições adequadas para o exercício de uma cidadania activa, agindo a partir de convicções que, em vez de arbitrárias ou irracionais, detêm um fundamento racional. Por outro lado, mais profundo, ela procura desenvolver quadros conceptuais através dos quais seja possível imprimir significado ao mundo em que vivemos e pensar os lugares que nele queremos ocupar e o tipo de vida que queremos viver. Trata-se de uma tarefa essencial, pelo menos a partir do momento – simultaneamente trágico e tão emancipador – em que, segundo a tradição judaico-cristã, por força do pecado original, o primeiro homem e a primeira mulher foram expulsos do paraíso e, por isso, deixaram de contar com a intervenção divina para a condução das suas vidas. A partir de então, o género humano viu-se confrontado com a necessidade, não só de "produzir o pão com o suor do seu rosto", para se alimentar, mas também de moldar o mundo em que se encontra e de forjar os seus próprios projectos de vida, tanto individuais como colectivos. Nesta vertente, utópica, a filosofia política projecta-se para além do concreto, precisamente de modo a poder apresentar modelos de organização social e política, visões da vida boa, que merece ser vivida, e da boa sociedade. Desviando-se do real, atende ao possível; afasta-se do "ser" para pensar e propor o "dever ser". É precisamente na medida em que se afastam do mundo concreto ou de opções políticas concretas, eventualmente populares num determinado período, para nos disponibilizarem paradigmas de organização social e política capazes de nortear as nossas opções, que as grandes obras adquirem uma dimensão que as projecta para além do tempo e das circunstâncias em que foram redigidas, e assumem um valor que resiste ao próprio tempo. Quando tal acontece, os seus autores superam as contingências da conjuntura histórica em que lhes é dado viver, libertando-se, assim, da “lei da morte". Porém, e paradoxalmente, quanto maior é o fascínio de uma obra, maiores, mais díspares e mais complexas são as leituras a que dá origem. E quanto maior a estatura de um autor, maiores as dificuldades que esperam quem o procure situar, muito em particular tratando-se de alguém que, durante toda a sua vida, primou pela privacidade e por permanecer para aquém do escrutínio público e, após a morte, atraiu a atenção de um número sempre crescente de comentaristas. É o caso, manifestamente, do texto que agora se publica e do seu autor.
URI: http://hdl.handle.net/10400.3/1467
ISBN: 978-972-31-1197-2
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