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Entradas recentes

Plano de Segurança para Zonas Comuns do Campus de Ponta Delgada da Universidade dos Açores
Publication . Furtado, Gonçalo Ricardo Pereira; Barros, Maria João Fraga Freire; Vasconcelos, João Carlos Gaspar de
O Plano de Segurança é um documento que resume um conjunto de medidas de autoproteção, destinadas a minimizar os riscos potencializadores de danos, que podem ocorrer em estabelecimentos e recintos. Dessa forma, o Plano de Segurança é um instrumento essencial para garantir a proteção de todos os ocupantes de um determinado espaço, perante a riscos externos e internos. O plano deve conter várias medidas e procedimentos que, em caso de emergência, sejam úteis para garantir a maior segurança possível dos ocupantes, bens, como também do próprio edifício. As principais bases deste trabalho foram o Decreto Legislativo Regional n.º 6/2015/A, de 5 de março, na sua redação atual, que estabelece Regime Jurídico de Segurança Contra Incêndios na Região Autónoma dos Açores (RJ-SCIEA). No que respeita à regulamentação SCIE, foi utilizada a Portaria n.º 1532/2008, de 29 de dezembro, na sua redação atual. Ainda recorremos à Lei n.º 27/2006, de 3 de julho (Lei de Bases da Proteção Civil). Neste trabalho em específico, o Plano de Segurança aplicar-se-á ao Campus Universitário de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde o seu principal objetivo é descrever medidas e procedimentos que garantam a maior segurança possível no espaço universitário. Além dos riscos de incêndio, fugas de gás, entre outros, é importante referir que dado à localização geográfica dos Açores, existe uma grande probabilidade de ocorrência de alguns perigos de origem natural, como são o exemplo dos sismos e erupções vulcânicas, e, devido a isso, a implementação de um plano desta natureza é imprescindível neste contexto. Ao longo do trabalho, será feita a identificação dos principais riscos a que o campus está exposto e a sua respetiva avaliação, complementando com as medidas de autoproteção e procedimentos, fazendo com que os utilizadores deste espaço saibam como atuar numa iminência de emergência.
O Loan-to-Value e o efeito de realocação na concessão de crédito bancário
Publication . Gaspar, Beatriz Pereira; Teixeira, João Carlos Aguiar; Matos, Tiago Filipe Almeida
A presente dissertação investiga o papel do rácio Loan-to-Value (LTV) na dinâmica da concessão de crédito bancário, considerando os segmentos de crédito à habitação, crédito ao consumo e crédito às empresas. O estudo recorre a uma amostra de 290 bancos distribuídos por 36 países, no período de 2005 a 2023, com dados obtidos a partir da base BankFocus. Para garantir consistência e fiabilidade, os valores extremos foram eliminados através do corte nos percentis 1% e 99%. A metodologia baseia-se no modelo System Generalized Method of Moments (SGMM), adequado para dados em painel dinâmico e que permite lidar com potenciais problemas de endogeneidade. A robustez dos resultados foi assegurada através do teste de Hansen, que analisa a validade dos instrumentos, e do teste de Arellano-Bond, que verifica a ausência de autocorrelação de segunda ordem nos resíduos. Os principais resultados mostram que o rácio LTV influencia de forma diferenciada os vários segmentos de crédito: aumenta a concessão de crédito habitação, mas associa-se a uma redução no crédito ao consumo e no crédito às empresas, revelando efeitos de substituição e realocação de recursos. Adicionalmente, a análise quantílica demonstra que estes efeitos não são homogéneos em toda a distribuição, evidenciando diferentes comportamentos consoante as características das instituições bancárias. De facto, este trabalho contribui para a literatura ao fornecer evidência empírica sobre o impacto do LTV na estrutura de crédito bancário internacional, reforçando a importância da sua utilização como instrumento macroprudencial e alertando para a necessidade de um ajustamento criterioso das políticas regulatórias.
Comportamento das famílias em relação às energias renováveis em contexto doméstico: O caso dos Açores
Publication . Ferreira, Tomás Sousa; Silva, Francisco José Ferreira
A descarbonização do setor residencial é um pilar central das estratégias climáticas globais, dada a sua substancial parcela no consumo de energia. A presente tese tem como objetivo central dar um contributo para desconstruir esta temática, analisando o complexo conjunto de fatores que determinam o comportamento energético doméstico. A literatura demonstra que os fatores psicológicos e sociais, como a perceção de benefícios pessoais e a influência dos pares, exercem uma maior influência que a mera preocupação ambiental abstrata, no que concerne à utilização de energias renováveis e a práticas de eficiência energética. Por outro lado, a incerteza, seja ela financeira, técnica ou estrutural, é a barreira mais premente, nestes mesmos domínios. Através de um inquérito realizado aos agregados familiares da Região Autónoma dos Açores, analisaram-se as perceções, hábitos e padrões de consumo desta população. A análise estatística recorre a três metodologias principais: a regressão linear múltipla; o modelo da teoria de resposta ao item; e o modelo de equações estruturais. Conclui-se que o recurso e utilização de energias renováveis não é sinónimo de consumo ecológico. A transição energética doméstica parece ser primariamente impulsionada por fatores socioeconómicos, e não por uma consciência ecológica que se traduza em moderação. Estas conclusões têm implicações ao nível das políticas públicas e dos programas de incentivos, que podem ter de ser reformulados. É importante o desenho de políticas focadas no pós-aceitação e respetiva utilização, que previnam o efeito ricochete e garantam que os investimentos tecnológicos resultam numa efetiva redução do consumo de energia.
Ecology of cephalopod/cetacean interactions in the Azores
Publication . Suciu, Stéphanie R. A.; Azevedo, José M. N.; Jung, Jean-Luc
Os cachalotes (Physeter macrocephalus, Pm) foram extensamente caçados globalmente desde o século XIX, mas a caça comercial parou em 1986 graças à moratória estabelecida pela Comissão Baleeira Internacional (IWC). Esses cetáceos passam grande parte de suas vidas no oceano profundo, alimentando-se principalmente de cefalópodes. O oceano desempenha um papel importante na manutenção do equilíbrio ecológico da Terra. No entanto, ameaças atuais continuam a desafiar a saúde dos oceanos, enquanto os impactos sobre a biodiversidade marinha e as dinâmicas predador-presa ainda são pouco compreendidos. A investigação sobre a dieta dos cachalotes e sobre os cefalópodes oceânicos ao redor dos Açores começaram há várias décadas, inicialmente por meio do estudo do conteúdo estomacal de cachalotes caçados. Quarenta anos depois, essa investigação passou para outro patamar. Esta tese tem como objetivo obter dados sobre a biodiversidade de cefalópodes do oceano profundo e a ecologia dos cetáceos, utilizando uma abordagem participativa de investigação com amostragem não invasiva. A transição regional da caça para a observação de cetáceos abriu novas oportunidades para envolver atores do turismo na colheita de amostras biológicas. Foram analisados três tipos de amostras para análise molecular. Primeiro, restos de cefalópodes, provavelmente trazidos à superfície por cetáceos, foram coletados e identificados por DNA barcoding, revelando a diversidade local de cefalópodes e fornecendo as primeiras informações sobre a dieta dos cetáceos seus predadores (projeto MONICEPH). Em segundo lugar, o ADN ambiental (eDNA) de amostras fecais de cachalores foi analisado via metabarcoding, enriquecendo consideravelmente as informações sobre a dieta desses predadores. Além disso, foram analisadas também amostras fecais de golfinhos-de-Risso (Grampus griseus, Gg) e de baleias piloto de barbatana curta (Globicephala macrorhynchus, Gma). Por fim, a pele descamada dos cachalotes, coletada junto às amostras fecais, permitiu a análise da região de controle do DNA mitocondrial (MCR) para identificar haplótipos. Como a maioria das amostras de cachalote foi coletada em São Miguel, foram avaliadas as diferenças na distribuição dos haplótipos e na dieta entre o norte e o sul da ilha. No total, foram registados 34 taxa distintos de cefalópodes, pertencentes a 20 famílias. As 182 amostras de tecido de cefalópodes permitiram determinar 16 taxa, que foram todos identificados também nas amostras fecais, com exceção de um. O metabarcoding utilizando os primers Ceph18S em 36 amostras de Pm, Gg e Gma permitiu identificar 33 taxa de cefalópodes. A amplificação do MCR a partir de 70 amostras fecais e 34 de pele descamada possibilitou a identificação de 90 sequências de MCR atribuídas a 79 cachalotes, revelando quatro haplótipos, incluindo um identificado pela primeira vez a nível global. A distribuição geográfica dos diferentes haplótipos em São Miguel foi heterogênea, embora alguma fidelidade ao local tenha sido observada. Constatou-se que a dieta dos cachalores diferia entre o norte e o sul da ilha de São Miguel, bem como entre machos adultos e fêmeas, mas essas diferenças não foram associadas a haplótipos. Apesar das diferenças metodológicas, a comparação com análises históricas do conteúdo estomacal mostrou similaridade na ocorrência de taxa e nas famílias mais frequentes, embora algumas variações também tenham sido observadas. A sobreposição de onze taxa encontrados nas dietas de Gg e Gma permitiu obter os primeiros resultados para avaliar potenciais fatores que influenciam a competição interespecífica. Este trabalho avançou o conhecimento sobre a biodiversidade de cefalópodes do oceano profundo por meio de uma abordagem inovadora, utilizando amostragem não invasiva e incorporando ciência participativa para monitorização contínua. Melhorou-se o conhecimento da dieta dos cachalotes e obtiveram-se os primeiros resultados para golfinhos de Risso e baleiaspiloto, que têm nichos ecológicos sobrepostos. Além disso, fornecem-se informações sobre a estrutura populacional e os padrões espaço-temporais dos cachalotes em torno de São Miguel. Essa abordagem é altamente replicável e prioriza padrões éticos. Os dados resultantes são essenciais para os esforços de conservação e a gestão dos ecossistemas, tendo em conta os desafios oceânicos atuais.
Spatio-temporal analysis of rainfall and its effect for landslide triggering in São Miguel Island (Azores Archipelago)
Publication . Silva, Rui Filipe Fagundes; Marques, Rui Tiago Fernandes; Zêzere, José Luís Gonçalves Moreira da Silva
Os movimentos de vertente representam o perigo natural mais frequente no arquipélago dos Açores, devido à sua origem e geomorfologia vulcânicas, à localização geográfica e ao enquadramento climático, caracterizado por elevados níveis de precipitação. Neste contexto, a compreensão dos fatores que controlam a ocorrência destes fenómenos e a sua evolução temporal constitui um elemento fundamental para a avaliação e mitigação do risco associado. Este estudo baseia-se na base de dados documental NATHA (Natural Hazards in Azores), construída a partir da análise sistemática de fontes históricas e de arquivos de imprensa regional. Através desta base de dados, foi possível identificar e caracterizar os eventos de instabilidade geomorfológica ocorridos na ilha de São Miguel entre 1900 e 2020. Foram catalogados 236 eventos, responsáveis por 82 vítimas mortais, 41 feridos, 305 desalojados e pela destruição total ou parcial de 66 edifícios. A análise da distribuição espacial revelou diferenças significativas entre os municípios da ilha, sendo o município da Povoação mais afetado, registando cerca de 59% do total de vítimas mortais. A precipitação foi responsável por cerca de 70% dos eventos catalogados, que ocorrem na sua maioria durante os meses mais húmidos do ano, entre novembro e março. A análise temporal revelou uma maior concentração de eventos após 1996, associada a alterações no regime de precipitação, demonstrando, pela primeira vez nos Açores, a influência das alterações climáticas na ocorrência de movimentos de vertente. O estudo dos padrões e tendências da precipitação na ilha de São Miguel recorreu à análise de clustering hierárquico e a testes não-paramétricos de tendência. Foram identificados quatro clusters de precipitação homogéneos, que confirmam a existência de um forte efeito orográfico, em que a altitude desempenha o papel de principal regulador da precipitação. Foi observada uma forte correlação positiva entre a altitude e a precipitação, com um aumento de aproximadamente 180 mm de Precipitação Média Anual (PMA) por cada 100 m de altitude. A análise temporal mostrou reduções significativas na precipitação anual e sazonal, embora a frequência de dias com precipitação mais intensa tenha aumentado. Esta redução é particularmente crítica durante o outono e o inverno, com quebras máximas na precipitação entre 41% e 55%. O estudo sugere que a fase predominantemente positiva da Oscilação do Atlântico Norte (NAO) no período mais recente contribuiu, pelo menos em parte, para esta tendência de decréscimo da precipitação. O estudo propõe uma abordagem inovadora para o desenvolvimento de limiares empíricos combinados de precipitação, integrando um limiar preparatório, relacionado com a saturação prévia do solo, e um limiar de desencadeamento, associado à precipitação no dia do evento. A validação demonstrou que a utilização deste limiar combinado apresenta um desempenho superior ao limiar preparatório isolado, nomeadamente na redução de falsos positivos e na melhoria da precisão preditiva. As áreas com materiais vulcânicos mais friáveis e "jovens", como os vulcões das Sete Cidades e das Furnas, são mais suscetíveis, evidenciando limiares de precipitação normalizados mais baixos. Os valores mais elevados das probabilidades mensais de excedência dos limiares, estão associados aos meses de dezembro e janeiro. Verifica-se, igualmente, que tanto os eventos de precipitação intensa de curta duração como os de longa duração estão associados a períodos de retorno inferiores a cinco anos. Os resultados fornecem uma caraterização integrada, detalhada e inovadora do perigo de movimentos de vertente e da sua relação com a precipitação na ilha de São Miguel, estabelecendo uma base de conhecimento robusta para a otimização de estratégias de prevenção e gestão do risco no contexto das ameaças geoclimáticas atuais e futuras.